O que faz a pobre alma no cemitério?
Assim tão sozinho
A beber tanto vinho
Olhando tão sério
Para lápides funéreas
Matando a garrafa a goladas
Escrevendo a vida em rimadas
Trovando flores uninervias.
Já acabava a sua bebida
Tira folha e pena de algibeira
Escreve uma trova avicida
Escreve uma prosa com asneira.
Atônito a noite
Descreve o sol alvorecer
Observava a lua ir embora
Pensava nas estrelas outrora
E para assim, poder desvanecer.
2018
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Não vês musa? meu coração não és mais teu
Não sentirei mais teu amor inaudito
Tua raiva abriu brechas, a quem? a outra?
Não, a Satan,
Ah Satan anjo maldito
Não por afinidade, culto ou respeito
Mas sim por um sentimento esquisito
Partiste, deixaste-me. Possuiu minh'alma
Tu? não! Imbuiu-me
Satan anjo maldito
Minha musa, inspire-me coisas boas
Estou fecundado pelo parasito
Durante esse cárcere vou te esperar
Sob o olhar
De Satan anjo maldito.
2020
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Gosto de quando tem enchentes
As águas enchem as ruas
O asfalto reflete a lua
E sobe os corpos de gente.
2017
A lua brilha mais a mim
Para outros brilha o dia
Que p'ra mim é um confim
Que traz lembranças frias
2017
A arte viva, minha vida ferida
Corre em vermelhas veias velhas
Planando em um plano rio pleno
Em versos sucintos
Que mostra o que sinto.
2017
Sinto uma flecha flechada em meu peito
Vejo imagens passando de vidas passadas
O navio da consciência parte desfeito
Delírio mulheres que ja foram minhas amadas.
Me revive me retorna
Me regenera me alucina
Poção mágica de mana
Me devolva a energia.
Maldito seja o entorpecente anil.
Reluzente água azul
Energiza os meus sentidos
Deslocado doentio
Etilismo colorido
Energético do espirito
Estou fraco e necessito.
Quem me dera a bela clériga
Satisfazer os meus desejos
Me encanta tua líra
Me cure com seus beijos.
Me alento com o peito furado
E liberto minha magia
Reluzente chama azul
Que incinera as harpias.
Devo minha vida
Ao exímio alquimista
Que fizera a poção de mana
Meu nectar safira.
2017
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Era ela a puritana perdida
Pelos puritanos era iludida
Mas depois de pegar em minha mão
Nunca mais se ouviu um sermão
Mas sentiu o pavor
Que é ser preenchida por dentro
Com o verdadeiro amor
E foi dado o critério
Que nós faríamos no cemitério
Descanso de gente boa e ruim
Que não importam pra mim
Uma hora, todos chegam ao fim
Regados a pecados
Não me importo com os enterrados
Por cima de tumbas, cama dos tarados
Varinhas de plástico, açoites de cetim
Algemas e chicotes, prazeres sem fim
- Dor, está doendo meu amor
Mas não pare por favor.
- Sou o mais insano dos amantes
Sinto prazer com sangue.
Parafina cai quentinha em sua genitália
Cortes nas coxas feitos com navalha
Gritos abafados com mordaça
Gatinha miando, fazendo de pirraça
Com um dedo no anel e minha língua na flor
Doce e puro mel, este incolor
Onde há dor, há prazer
Um prazer sem pudor
Mas sem pudor, outros diriam
Que o sexo é um horror.
GustavoMartyns 2018
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Chamada para a guerra derradeira
Um simples garoto encontra a cavalheira
Com medo de falhar com seus encantos
Ele a abençoa com seu esmero canto
- Ouça o bardo nobre guerreira
Aqui me envergonho, que tal ao lado de minha cabeceira?
Se falhasse conheceria a morte verdadeira
O valente bardo a deitou e em seus ouvidos
Falou suas asneiras
"Quem a fita os olhos não vê sua força
Sussurro em sua orelha pra que fique eriçada
Apalpo sua armadura para sentir sua perna torneada
Afim, de conhecer sua alma delicada
O tom de sua voz me faz enternecer
Mimando e acariciando, fazendo-a gemer
Se apenas uma lágrima derramar
E eu souber por terceiros
Um santo terço a ti vou rezar
E pedir sua cabeça, em meu travesseiro
Pode invadir meu quarto como intrusa
Pode vestir-se em ceda fina
Mas permita-se ser minha musa
Seja minha inspiração divina
Te olho vestida mas imagino nua
Sobe estrelas frias a noite escura
Envolta de tulipas e lascívia crua
Quero conhecer sua arte
O que causa sua felicidade
Sentir de ti saudades
Quando você deixar a cidade
Você me impede de ser tristonho
Quando você partir, vai seguir seus
Caminhos risonhos
Mas eu estarei aqui
Te acariciando em sonhos"
2020
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As lentes! as malditas lentes!
As lentes, do seu óculos
Que me impedem de ver
seus olhos, seus vagos, cismos
Olhos.
As lentes! As malditas lentes!
As lentes, por elas não vejo
As nervuras dos olhos.
Os lapidados sulcos puxados
De seus olhos.
As lentes!as malditas lentes!
As lentes, que me impedem de viver
A experiência completa
De seu penetrante e forte
Olhar.
As lentes, que não deixam que meu olho
chegue nú, em seu olhar.
Seu doce, meigo e voluptuoso,
olhar
As armações!as malditas armações!
Armações, que cercam as lentes
E me impedem de furar com os cacos
Seus olhos, seus lindos e inquietos,
Olhos.
2017
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Ah tristeza, sentimento mais feliz não existe
Soturno, os mais sábios a ti não resiste
A tristeza, a mim vem com resistência
A felicidade me vai, abala minha existência
Ah solidão, no teu seio, só tu me entende
Meus amores, meus insights não compreendem
Ah solidão, a ti peço a mão como esposa
Pois sou leão a te domar, e hábil como a raposa
A tristeza e solidão vivem nesse ser introvertido
Transitando as emoções, em busca de sentido
Escrevendo p'ra manter o hábito introspectivo
Com pinta pessimista, mas um ser prospectivo.
2020
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