Em vestígios de memória
Entro na sala chorando.
Memórias onipresentes,
Memórias em todo canto.
De copos que já trincaram
E os cacos que então restaram
Cortam minha alma em prantos.
Se um dia eu puder voltar
Ao início dessa história
Daria um jeito de amar,
E não me tornar escória
Que antes foi tão bonito
Juras de amor infinito
Que hoje só são memórias.
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Quem procura perfeição
Nas pessoas desse mundo,
No lugar pode encontrar
Defeitos, traumas profundos.
E não há jeito de achar
Pois ser perfeito não há,
Nem nunca vai existir.
A pessoa mais perfeita
É a que tem a receita
De fazer você sorrir.
Gui Borges
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Na fazenda onde morava
Dava leite e dava milho
Dava lima e bacaba
E dava pros 12 filhos
Saiamos pra caçar
Via bicho, é só mirar
Depois puxar o gatilho
Uma familia gigante
Também era muito unida
Sempre juntos cada instante
Que passava nessa vida.
Quando um ia viajar
Oravamos pra abençoar
Cada chegada e partida.
Lá não tinha celular,
Internet ou Tv.
Tinha um rádio pra ligar
E ouvir no amanhecer
Hora de cortar taboca
Plantar milho e mandioca
E no futuro, nóis colher.
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Tive uma infância pobre
Mas pobre só de dinheiro
Pois eu tinha um sonho nobre
Depois virou pesadelo
Conto aqui oque passei
O que jamais esquecerei
A minha luta e desespero.
Eu era só uma criança
E tinha um amigo rico
Na base da confiança
Ele brincava comigo,
Emprestava seus brinquedos.
De quebrar eu tinha medo
E ele embravecer comigo
Era uma zona rural
O lugar onde eu morava
Sem policia e hospital
Próprio povo se cuidava
Só que eu era feliz
Brincava de bola e giz
Na minha velha morada.
Também brincava sozinho
Com pedra, pau, e motor
Até com restos de tanquinho
Ferro, papel, isopor
Que brinquedo mais estranho.
Nunca desistí do sonho
De um dia ser doutor.
Mas um dia eu sozinho
No quintal da minha casa
Passava pelo caminho
Um homem de blusa listrada
Que se aproximou de mim
E me perguntou assim
-Quem está na residência?
Sem ninguém em minha presença
Ele se aproveitou de mim.
Sentí medo de contar
Me sentí envergonhado
Sem saber oque pensar
Eu estava desesperado.
Depois eu fiquei tão triste
Perguntei por que existe
Tanta gente ruim assim
Acabou com minha vida
Moço de listra na camisa
Que se aproveitou de mim.
Mas não se sinta sozinho
Se se isso ocorreu contigo
Se te conto essa história,
Sei tu és meu amigo.
Não aceite e denuncie
Sem ter medo, não confie
Corajoso não aceita.
Denuncie o criminoso
Não se envergonhe de novo
E a justiça será feita.
Eu conheço a sua dor
Sei também como é difícil
Sei que nos falta coragem
A margem desse precipício.
Mas você terá apoio
Cristo será seu comboio
Quando estiver aflito.
Denuncie.
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A água que desce a serra
É a mesma que mata a sede
De quem mora em nossa terra
E de quem rega as plantas verdes
É a mesma que roda o moinho
É a água que traça o caminho
Sem asfalto, ferro ou paredes.
O vento que balança as arvores
É o mesmo que balança o prédio
É o que seca as roupas de tarde
É o que nos tira do tédio
Quando sopramos cata-vento
Traz então esse instrumento
A diversão como remédio.
E tudo que é natural
Traz então sua própria beleza
Beleza as vezes tão irracional
Mas irracional que nos traz a certeza
Beleza exclusiva, tão linda e tão sua
As vezes nos cega com tanta ternura
Beleza que cura, a mãe natureza...
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O nosso cerrado grita
O nosso cerrado chora
A cada cinza que fica
A cada gota que evapora
A cada fogo que se espalha
Começa nova batalha
Contra a Fauna e contra a Flora.
Cada arvore que queima
Meu coração despedaça
Muito fogo e fumaceira
Mata mil de toda raça.
Mata mil e muito mais,
E dos pobres animais
Não sobra nem a carcaça.
Veja que cenário triste
Que o homem produziu
De todo ser que existe,
De todo que existiu,
O homem, é o mais errado
Pois acaba com o cerrado
Do nosso grande Brasil...
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Saudade é como uma foice
Que ceifa os sentimentos
E oque resta é o lamento
E o aperto em nosso peito
Dor que doi de todo jeito
A cada lembrança que temos
-Quando então nós nos veremos?
-Saudade desse sujeito...
Mas se tivermos saudade
De alguém que ja partiu?
De um amor que existiu
Ou de uma amizade
Como dói essa saudade
Como ela nos maltrata
Essa dor que só nos mata
E que nos faz refletir
Valorize quem tá aqui
Valorize o nosso tempo
Porque a qualquer momento
Qualquer um pode partir....
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Sou afro da pele negra
Sou favela e sou nordeste
Sou neguinho do subúrbio
Também sou "cabra da peste"
Sou asfalto e plantação
Sou do prédio e sou peão
Sou de um povo que padece.
Sou da mata e caatinga
Sou dos becos e vielas
Sou das construções ainda
Que são minha passarela
Sou trabalhador da roça
Baixinho das pernas tortas
De calça no "mei das canela".
Sou o injustiçado negro
E vim de um povo africano
Sou do "bonde dos vaqueiro"
Sofro o preconceito insano
Sou igualmente você
Vamos viver e morrer
Sou ainda, ser humano.
》 Guilherme Borges 《
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Ando triste ultimamente
Ando meio angustiado
Não conheço muita gente
Mesmo assim sou odiado
Se esquecem que eu existo
Mas saiba que depois disso
Nunca mais serei o mesmo,
Tenho em meu peito o desejo
De sumir da humanidade
De ir embora da cidade
Ou sumir desse país
Isso que eu sempre quis
Pra te dizer toda verdade.
Hoje estou tão solitário
Tanta coisa nessa mente
As vezes me sinto intruso
No meio de tanta gente
E a minha propria familia
Me magoa e bota pilha
Me deixando ainda pior
Queria ser bem melhor
Do que eles falam de mim
Quem sabe ao menos assim
Eu não me sinta tão só....
》 Guilherme Borges 《
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Amigo, é coisa séria
Amigo é priorioridade
Seja no muito ou na miséria
Quando sai, deixa saudade
É ter carisma e compaixão
E saber lhe dar a mão
Quando houver necessidade
Amigo é coisa de louco
Mas também é coisa comum
É ter muito, mesmo no pouco
É mais do que algo incomum
É ser presente até na doença
Também ter briga e desavença
Mas no final, sem rancor algum.
Guilherme Borges ♡
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