O peso da fogueira
Mas e nós? Quantos queimamos em nome de Deus? Quantos morreram sobre a cruz? A diferença está na faca ou na fogueira ?
@Grazi_sad · desde 2021
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Mas e nós? Quantos queimamos em nome de Deus? Quantos morreram sobre a cruz? A diferença está na faca ou na fogueira ?
O Peso do Fundo Já vi o escuro ser mais denso, já toquei o chão do abismo, mas hoje, sem defesa ou senso, sinto em mim um novo cismo. O tempo fez de mim muralha, um rochedo contra o vento, mas a vida, em sua batalha, me gastou por dentro. As marés que antes venci, hoje quebram minha ossatura, e o que restou de mim aqui é só cansaço e fissura. Já estive em poços mais fundos, mas a queda agora é mais fria. Não é a dor que me afunda, é o peso da repetia.
Continuar lendoMeus versos sempre foram vazios, palavras soltas sem verdade. Sou poeta—escrevo tudo, mas nunca senti nada. Mas com você, é impossível não ser inteira, não derramar em palavras o que transborda em mim. Você é minha poesia mais linda, o único verso que escrevo e realmente sinto. ---
Continuar lendoDe repente De repente, tudo esfria, tudo se distancia, o sonho de casar desmorona, e a vontade de mudar se perde. De repente, já não sinto nada, só o vazio crescendo, vendo a dúvida nascer, me perguntando se ainda me ama. O que antes era chama agora é cinza, o que antes era certo agora é medo, e eu fico aqui, sem saber, se ainda existe um "nós" para salvar.
Continuar lendoSilêncio nas Estrelas Eu era pequena, e o mundo, tão grande, me fazia caber em cantos escuros. Nas noites mais longas, meu sussurro subia, mas nunca sabia se chegava aos muros do céu. Pedia em silêncio, com olhos pesados, que algo me levasse para longe daqui. Mas as estrelas brilhavam indiferentes, e a lua não me ouvia. Me disseram que havia um Pai que acolhe, que ouvia as dores da alma em segredo. Mas, ao pedir para partir e não ser mais, pensei se Ele era só silêncio e medo. Então, a prece virou eco sem nome, e o nome, esquecido, desfez-se em nada. Aprendi que o céu pode ser bonito, mas às vezes, não guarda nada.
Continuar lendoVocê ouve o lobo e o deixa falar, mesmo quando ele te reduz ao nada. Carrega a culpa que ele cria, e acredita nas mentiras que se repetem. Ele promete amor em meio ao caos, mas é só mais uma armadilha. De algum jeito, a dor de mantê-lo perto parece menos insuportável que vê-lo partir. Cada palavra dele é uma corda que te prende, um peso que se enrola na sua alma. E, enquanto você finge que ainda respira, ele já começou a te engolir. E o lobo nunca se sacia. Ele ronda, espreita e devora. Até que, enfim, tudo o que você era se torna silêncio.
Continuar lendoEntre viver e morrer Não passamos de sombras que se apagam, Matando um pouco de si a cada dia, Sentindo na pele o sopro da vida, E morrendo aos poucos, por ironia. Precisa-se morrer para existir, Pois o caos se torna a única estrada. Amor em trovões, tempestade a rugir, O eco de um grito que nunca é nada. Admiro teus olhos, tormenta e calma, Como quem vê o céu rasgar-se ao meio. E mesmo que a dor me toque a alma, Ainda sou chama, fogo no receio. Entre viver e morrer há um vazio, Que dança em silêncios e forma um rio.
Continuar lendoEsquecendo-se de Si Você tem medo de ser o monstro, mas esqueceu de olhar no espelho. A dor não grita como a raiva, mas dentro de você ela cresce, silenciosa. Cada passo que dá, cada palavra, é um reflexo do medo disfarçado de controle. Porque o maior abuso não é contra os outros, mas contra a pessoa que você deixou de ser. Você finge ser forte, mas suas próprias correntes te aprisionam. E no fim, o monstro que temia é a sombra que você criou, esquecendo-se de quem realmente é.
Continuar lendoSaltos Vazios Ela é o retrato da indiferença, um sorriso frio, olhar calculado. Conhecida por nunca se envolver, mas guarda o medo bem disfarçado. Cada salto de coração em coração é só defesa que ela alimenta. Finge ser rocha, mas dentro de si há um vazio que nunca enfrenta. Procura no outro o que teme mostrar, reflexos de algo que nunca curou. E no silêncio de amores partidos, encontra o vazio que a própria criou. Será que um dia a armadura cairá, e ela verá que sentir não é fraqueza? Ou seguirá juntando pedaços alheios, na esperança de consertar seu próprio peito?
Continuar lendoAmor em tons errados Se o amor pinta o mundo em tons de vermelho, por que suas mãos trazem o roxo do medo? Cada toque seu era um retrato, não de paixão, mas de um céu opaco. Promessas em carmim, vozes que mentiam, mas a pele, roxa, as verdades diziam. O amor não sangra, ele aquece e renasce, mas o seu afeto... era um golpe que não passa. Se o vermelho é a cor da chama que ilumina, por que fez do roxo a sua sina? Cores que gritam em silêncio profundo, marcas que apagam o brilho do mundo. Que o amor verdadeiro me pinte de luz, e não de sombras que o roxo conduz. Pois o coração merece ser tela serena, e não cicatriz de uma história pequena.
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