Abraço com gosto de lar
Às vezes eu chego e sorrio, meio tímida, Com o coração apertado e as palavras engolidas, E digo baixinho: “Empresta sua mãe rapidinho?” Mas o que eu quero mesmo não é só um abraço — É aquele abraço. O dela. Que não pesa, não cobra, não julga. Que só… acolhe. Tem abraço que parece gesto, Tem abraço que parece rotina, Mas o dela... O dela tem gosto de lar. É como se o peito dela escutasse O que nem minha boca consegue dizer. Como se os braços fossem portas abertas Pra uma casa que sempre existiu em silêncio. Nunca amei um abraço assim — Nunca desejei tanto repetir um gesto Que deveria ser simples, Mas com ela, é milagre em forma de toque. Mesmo que eu nunca diga a você, O abraço da sua mãe é o que me faz sentir viva. É por ele que luto minhas guerras, É nele que minha alma se esconde quando o mundo me fere. Esse abraço me dá força. Não é um abraço comum — Eu volto a repetir: É um lar em forma de abraço, É um mundo inteiro dentro de um braço. Tem aconchego ali, Tem um “vai passar” sem palavras, Tem uma paz que embala minha dor E diz: “Você não está sozinha.” Não é só abraço, É abrigo. É colo de alma, É o lar onde meu coração se encontra Quando o mundo lá fora pesa demais.
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