À Queima-Roupa
Há feridas na alma que são feito bala alojada no peito. Amedrontados pela dor, pelo sangue que precede a cicatriz, acovardamo-nos. Deixamos a pele fechar, fazendo do peito morada perpétua da dor. E então, cada abraço dado não é completo. Por dentro o peito ainda sangra. A carne ainda dói, rasgada pela ferida que não fechou. Ali resta um estilhaço. É preciso coragem para abrir o peito. Deixá-lo sangrar. O tempo estanca o sangue e cicatriza a alma. Abra o peito. Sangra-te. Para então não mais sangrares.
FN
intenso 🖤