Cine Drive In
Já podia sentir uma fraqueza nas pernas. Uma fraqueza gostosa, de quem fez o que quis em excesso. Como quem come com os olhos, além da fome. Ambos ainda ofegantes. Ele sentado, ela ainda deitada com as pernas por cima das dele. Encharcados de suor no banco traseiro, semisorrindo em silêncio. . Os vidros embaçados não os deixam assistir ao filme lá fora, mas também não permite que ninguém os veja nus. Ele a encara, ainda sorrindo. Ela levanta um dos pés à altura de sua bochecha. "Você é um dos meus melhores", ela sussurra. Ele sorri, mas mantém o silêncio. Não espera que seja verdade, não faz diferença - pra ambos. . A fome aperta depois de endorfina, suor e gemidos. Eles decidem ir embora mesmo antes do filme acabar - não se importam de que os outros carros estacionados sob a noite percebam que o filme era um safado pretexto para sexo aventureiro e jovem. . Com os vidros já translúcidos, ele se senta no banco da frente. Ela repousa a mão em sua nuca e a acaricia. Comenta da noite estrelada. Ele, com o pudor que ainda resta, veste a bermuda e abre a janela do motorista. Coloca a cabeça pra fora como quem se debruça sobre um parapeito. Ela gargalha, acha sensual a espontaneidade dele. . Ele olha para a lua e para o sem número de estrelas acima deles. Se sente vivo. Não pensa em mais nada. Só sorri olhando pra cima. Se sente vivendo intensamente o momento. Sabe que está vivendo certo. Plenitude e agradecimento o invadem por segundos. Ele sabe que dentro de minutos, o êxtase pós-gozo dirá "até a próxima" e virará as costas; sabe que em instantes caminhará consigo mesmo. . Ele sempre foi muito bom em identificar o hiato que vaga entre uma tempestade e uma calmaria. . Dá a partida no carro, um selinho nela. "Brigada por hoje, até qualquer dia" ela diz em seu ouvido. . É madrugada de domingo. A cidade, vazia. Ele não tem pressa.
Nilza Poetisa
um descrição perfeita. Um texto também perfeito. parabéns
Gean
Muito obrigadoooo
Rachel
caraca 👀 uou mesmo!
Gean
valeeeu hehe