Cactos
Da cor da pele
A flor vermelha
Desabrochou.
Era manhã
O sol tinha acabado de acordar
E ja se abriam
Lindas flores
Verão...
Seu imenso encanto
Resplandece
A alma
Que zonza fica.
Há poesia
Em estações,
Nos espinhos
Sangue
Do prazer derramado.
Magnetismo terra
Cheiro ou odor?
Dos vislumbres do ambíguo
Da incoerência
Do amor
O poeta faz das letras
Sua própria flor,
Em dispersão
Sólido calor,
Acácia da pupila
dilatou,
O vento regeu
O manto branco
moça se entregou
E por areia abaixo
Rolou.
-Valentina Gastelú. (@mar.d.venus)
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Custou
O desinteresse para o interesse
Custou
As corridas para a caminhada
Custou
A moça desarmada
Aberta
Solta
Com apenas um
Ponto fixo.
Custou chuva
O barril pesado
A dança orquestrada
Música marcada
Cheiro de abraço
Seus braços
Suas mãos
Seus lábios
Custou as marras
As falas
As promessas
Perdidas
Eu perdida
Em ti
Me custou.
-Valentina Gastelú.
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Gota de brilho,
Luz de estrelas,
Cor de rio parado
Calmo,
Calmaria.
Penetrante vida verde
Do sorriso de lua .
Fluir
Com o céu
Azul cor de mar
Mistura de aquarela,
Tons pastéis.
Era possível ser tudo
Sentir
Imaginar
Criar...
A nossa natureza incorpora
É sinestésica :
Doce
De água salgada.
Guardo
No olhar;
Na voz da poesia
As mais preciosas emoções
Degustadas
Saboreadas
Devoradas.
Da gota de tinta
Em meu papel.
-Valentina Gastelú
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Cansei de todos os ensaios
A cama bagunçada
O sorriso de canteiro
Viuva negra
E o olhar que devora.
Estava eu
Presa em minha
Propia teia
No toque quente
Da vela acesa
Casa de rituais
A luz da lua.
Eu te quis
Ao som dos pássaros
Dos gemidos calados
Que Soavam em mim.
Te quis entre minhas pernas
Preso ao meu calor
E eu podia sentir
De olhos fechados
Seus beijos percorrendo meu corpo
Sua mão sobre a minha
E sua alma despida
Nua como a água
Que corre nesse romance
Inacabado.
-Valentina Gastelú.
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Eu podia girar o mundo
Uma
Duas
Três vezes
E me encontrar
Novamente
Perdida em teus beijos
Voando nos seus pensamentos
Andando sobre o tempo,
Tempo seu
Que me encaixa.
Cronologia inversa;
Louca
Vem e vem,
É sempre
Vc e eu
E o tempo
Perdido
Em nós.
-Valentina Gastelú
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Tão ruim falar e não ser escutado,
Gritar mais alto que pode
E ninguém sente nem se quer a vibração.
O coração se parte
E em partes vai se corroendo mais rápido
Até restar só silêncio,
O silêncio dos outros,
O vazio
Deles,
Que ousa nos alcançar...
Dói
e com dor
Gememos baixinho
Com lágrimas escondidas
Tentamos seguir,
Seguir o som
Da voz deles.
Afinal é a carência de sons
Que nos faz ainda segui-los.
O medo deles
É que um dia
Descobriremos
Nossa capacidade,
Nossa voz interior,
Que ninguém cala,
Ninguém mata,
Apenas nós que matamos o silêncio
Devagar
De vagar
Na vida vazia oca
Deles.
-Valentina Gastelú.
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Amargo na minha garganta
-Ficou presa a palavara
Não digerida.
Devia agradecer ao incomodo
De você ser você,
Me fazendo lembrar
Lamber
O gosto da acidez da sua presença.
Do seu nome ja fiz
Sonetos
Mas acredite
Eu danço ao redor da fogueira
Jogando partes de mim danificadas
Por você.
Como eu me perco
sendo modificada, consumida
E ainda assim com um sorriso no rosto
Eu te olho
Na doce ilusão
De extrair o seu melhor
(Meu melhor)
É gostoso saborear o doce
De vez em quando.
É antônimo
Te amar
E sempre foi frustrante ter que lidar
Comigo.
Uma areia fina jogada sobre o vento
Voa,
Mas um vidro quebrado no meio do deserto
Seca,
Sozinho
Ao sol quente.
Era esse meu destino
A confusão
De ser eu
Acompanhada da loucura do "nós",
Algum dia eu entendo.
-Valentina Gastelú.
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Eu nasci em um ninho
E dele minhas raízes foram feitas.
Minhas asas nunca foram cortadas
Meu espaço nunca foi invadido.
Eu tinha convidados,
Passageiros.
As vezes eu virava trem
E me permitia
Sentir cada lugar,
Cada experiência...
Em outros momentos me fixava
E fechava minhas portas
Fazia o meu recanto,
Meu mar...
Até me perder em seu caminho,
Me encontrar em sua casa
-O aconchego.
Te acolhi em mim
E você me acolheu em você.
***
Passar pelas noites frias e
Inseguras
Eram apenas pequenas sementes,
Que plantavamos em nosso jardim.
De manhã você me colhia jasmin
Sorria e o sol aparecia
Tudo começava a ter tons,
A ter sons
E harmônia...
Você me transformava poesia
E eu escalava seus galhos
Comendo dos seus frutos.
***
Em dias chuvosos a gente se escondia
A natureza de nossas cabeças
Nos dissolvia
E navegavamos no mar agitado.
Acima de nós a lua cheia
Dos amantes perdidos,
Da luz apagada
Que reascendia em chamas
Como faróis
Nos trazendo ao mesmo lugar,
Eramos destinados a estar la
Sempre e sempre.
***
É por isso que
Em mim guardo a promessa
Da perda.
Eu me perderei
Em nosso tsunami
Para me encontrar
No mar de Vênus;
No nosso jardim encantado.
Eu me perderei
Nos seus milhões de galhos,
Na sua luz solar,
Nos seus olhos girassóis,
E em nós prometo me achar
Para todo lugar que eu voar.
-Valentina Gastelú (@mar.d.venus)
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Margaridas misturadas
Em tons pastéis
É ela sorrindo
Me olhando
De relance
A espera de cores quentes;
Cor de sol.
E a ela dou
A mais intensa
Composição:
Girassóis,
Belos girassóis
Tirados do meio do peito
Exclusivamente para ela
A moça mais bela
Que regou meu coração.
-Valentina Gastelú.
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Já se foi
O coração
-voz da moça-
Já se foi a carne branca,
As rugas na testa
E a fala serena.
O corpo enrijece,
Mas vive
E vivo segue
Sem viver.
Entregue ao vento,
Ao azul do céu,
A calma do sorriso,
Ela ainda vive
Solta das correntes;
Solta das mãos...
E sobe
Leve.
Em direção
As promessas
E incertezas da sua imaginação.
Agora é so ela
Parte de um universo
muito maior
Do que palavras
Descritivas
-A Incompreensão-.
-Valentina Gastelú.
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