G. di Lettieri @Gabrien_de_Pieri
Fábula

Romance XXI ou Dama da Noite

Toda noite, Exalava aquela Irresistível fragrância, Na esperança, na ânsia De ter uma bela Surpresa da sorte; Todos admiravam: "Que perfume emana!" Porém, ninguém ia ter Com a exausta a entristecer, Com a pobre dama Que ignoravam! Aproximou-se o morcego, Exclamando, a admirar: "Que magnífico odor Tem esta flor!" Pondo-se a procurar A autora de seu conchego; Finalmente a achou, Chegando-se, incrédulo: "Como conseguem ignorar Este esplendoroso olhar!?" A dama, inda mais incrédula, Não se conteve, e chorou; "Por que choras," – Ele perguntou, – "Tão bela madama!?" Respondeu a dama: "Tu me procurou Por longas horas! Mereço isto tudo!?" – Desacreditada continuou – E o morcego, No maior dessossego: "Ninguém te amou, Em todo este mundo?" Confirmou, com dor E renovada esperança; "Não te aflijas mais, Pois quero-te demais!" A flor tornou-se criança, Desfrutou de pueril amor; Toda noite ela esperava, Toda noite a ela ele retornava, Toda noite eles encontravam No outro o que procuravam: Um ao outro acompanhava, E, demasiadamente, amava; Certa noite, foi-se ele Como dantes, procurar Pela sua fiel companheira, Amiga leal primeira, Mas esta pôs-se a chorar Novamente em presença dele, Pois a hora era chegada, O último aroma ela emanou, Num rápido último olhar, Ela ao outro foi deixar, Como tudo começou: Companhia desejada. Rio de Janeiro, XXX de agosto de 2026.

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