Carta – Segunda Parte
Oh, onde parareis!? Por que não pensais um pouco – apenas um pouco! – como eu, ainda que reconheça, humildemente, ser tão desconhecedor da realidade que nos cerca quanto vós!? Por que ao menos não pareis e refletis o mínimo possível sobre este tão desvairado rumo que toma a humanidade, quero eu dizer? De uma coisa bem sei, pouco melhor que vós encontro-me – digo-vos em ausência de egoísmo, não atribuís isto a mim, por Deus! – por sustentar mínima consciência – existente, ainda que diminuta. Distância eu desejo manter de vós e vossas péssimas ações, mas não mais consigo esconder tamanha insatisfação que há muito compõe minh'alma... Eterna confusão há de coexistir comigo, me privando de toda e qualquer expressão de paz que se poderia fazer em mim? Di-me, oh, Senhor! Que nesta estrada não mais posso seguir sem sentido – não mais, não! Nada é-me claro, o mundo sufoca-me em mim mesmo até a lividez completa única e somente por este meu pensar tão crítico! Que queres Tu, Deus, de mim, minha pessoa, nesta Terra tão inóspita e devastadora!? Não mais sei que dizer, to juro... Por isto, creio ser sábia decisão calar a pena por longo tempo, depois das vistas correntes palavras – que dela jorraram tão naturalmente quanto a inevitável chegada fúnebre. Despeço-me, inda mais confuso do que quando comecei a redigir esta. E'-me claro que certamente de nada adiantou-me. Que assim seja: apenas o progresso nos conduza de aqui em diante, muito embora eu o duvide – senão completamente, quase. Talvez cordialmente, G.d.L Rio de Janeiro, IV de Agosto do ano de 2026.
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