Gabriela @Gabrielabonfim

Um café de tarde

Esses dias aconteceu uma situação que me chamou a atenção. Meu celular estava carregando. Eu não estava assistindo televisão, nem ouvindo música. Apenas tinha me sentado para tomar um café. Era uma tarde comum no meio da semana. Não havia trabalho ou mensagens para responder. Éramos apenas eu, o café e a minha mente, com aqueles velhos pensamentos dos quais eu sempre tentei fugir. O ambiente era tomado por um silêncio curioso. Mas, mesmo ali, existia um ruído: as vozes da minha própria mente. As preocupações, a ansiedade, os pensamentos sobre tudo o que eu ainda precisava fazer. E foi então que percebi uma coisa. Fazia muito tempo que nós duas não compartilhávamos um momento assim. Havia muito tempo que eu não sentava para ouvir a minha mente sem tentar calá-la. Sem buscar uma distração. Sem forçar o silêncio. E, para a minha surpresa, descobri que eu precisava ouvi-la. Eu sempre fugia do que ela tinha a dizer porque o medo de ser dominada pela ansiedade era enorme. Mas, naquele café, percebi que talvez permitir que esses pensamentos existissem, sem tentar expulsá-los imediatamente, fosse justamente o primeiro passo para que eles perdessem a força. Terminei o café, agradeci à minha mente pela conversa e voltei para o meu dia. Fui ouvir minhas músicas, responder às mensagens e continuar a rotina. Mas eu já não era a mesma. Porque, quando a gente encontra coragem para conversar com as próprias dores, dificilmente sai dessa conversa da mesma forma que entrou.

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