Contas de Esmolas
Havia um manco, fraco, esfomeado, um trapo. “Por favor, compaixão!” “POR FAVOR, um pão!”. Pedisse moedas, ganharia mais... Eu, que sou lindo, forte e moço, acompanhado de um bolso um trocado, mordo-me os beiços por baixo da máscara, lembro da igreja e dos velhos ditados; assim choro de corpo e alma, alma senzala sob máscara altiva e cara. Dou-lhe ou não dou-lhe um abraço apertado? Mais vale talvez o meu pobre trocado. Que sou, que era, que sei do que serei? O amor que eu conhecia, que jesus lecionava, agora desconfia, trai, é egoísta? Acaso amar eu sabia? Com que falsos mestres aprendia? Medo eu tenho, por mim e minha família. Ora, e se me quer tirar até o último centavo? Que me garante que não me quer também um carro, uma casa e uma filha? Amor amor de um mórbido pecado, a mesma balança acusa algo errado. Como casam egoísmo e compaixão, sob a benção do padre errado, sob a alcunha de “equilíbrio”, teimando-se lado a lado? Mas já não está o mendigo agora, cá sim estou eu e as esmolas. Atrapalharam-me as filosofias, não concorda? Deixaremos para pensar outra hora...
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