E quem há de saber o que sente?
Pensa, percebe que mente;
fala, parece esquecer;
confia e desconfia, ama e desama, aproxima, repudia,
seja lá qual for…
Nossa cabeça está farta de trabalhos,
nosso peito é quem persiste;
nossa vida é flora,
quando admite-se que não se sabe,
quando a amizade e o amor valem mais que nós mesmos -
e não há mais pensamento!
Há ele e ela, há aqui e ali, e agora e daqui uma semana, e um mês, e…
É-se feliz, como quem acaba de o perceber,
como agora percebe este que escreve,
quando não decide o gênio de dentro da gente,
quando desmancha tudo que há no coração,
mais feliz do que gente que sabe o que sente.
Uma rosa com toda sua cor e todos seus espinhos,
como ela é,
uma tão misteriosa noite,
com os medos a andar sobre o solo,
e a amizade e o carinho a pairar sob a lua.
Nossa cabeça? Nosso coração?
Um é a noite, o outro é a lua,
a noite é demasiado sombria,
a lua apenas lhe dá mais mistério.
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Ninguém se esquece.
Amaldiçoa-se quem se ama,
mas, atordoada que é a memória,
quando é que deixa-se de amar?
Você sabe quem é.
Não mais quem que você,
no fundo do seu ser,
na importância da sua voz,
só você sabe, e sente, de quem é que se fala.
Quem mexia com seu humor,
de modo bom ou ruim.
Sobre quem você presta atenção,
quando soube que lhe citaram o nome.
Quem te fazia passar os maiores escarcéus.
Quem era incompativelmente querido…
Presencialmente diferente, mas querido,
odiado, mas só seu e agradável.
Se te ocorre tudo isto,
ainda sem ver aquela pessoa,
é ela de quem se trata,
sua complicação e indiferença,
a eterna memória que acha que se esquece,
o eterno retorno que ora se aguarda.
Ah este tipo de coisa vai e vem,
- "mas se vier",
retruca o seu coração,
- "que seja para ficar".
@zegales_gabriel
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Meu espírito não fala.
Cria coisas absurdas!
Manda-me o que trabalha como que em representações.
Parece que Algo surge de minha alma entre minúcias e algodões ladinos,
passa pelo esquecimento,
o espírito,
e este o bota fora como que dum cuspido disforme, denso e color.
Esta Coisa cai ao meu consciente fervendo,
tão suculenta de letras,
e tão variada de significado!
Mas usualmente manejo escrever só um.
Só um é meu, do resto o mundo.
Eu sou aquele que dá o singular significado,
o primeiro que acena em toda obra de arte.
Sou o crítico do que eu mesmo acredito, e crio,
sou crítico em todas as formas, e angústias.
A angústia não me é cerne senão em vida!
Não há quem me diga que sou alienado.
@zegales_gabriel
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Havia um manco,
fraco, esfomeado, um trapo.
“Por favor, compaixão!”
“POR FAVOR, um pão!”.
Pedisse moedas,
ganharia mais...
Eu, que sou lindo, forte e moço,
acompanhado de um bolso um trocado,
mordo-me os beiços por baixo da máscara,
lembro da igreja e dos velhos ditados;
assim choro de corpo e alma,
alma senzala sob máscara altiva e cara.
Dou-lhe ou não dou-lhe um abraço apertado?
Mais vale talvez o meu pobre trocado.
Que sou, que era, que sei do que serei?
O amor que eu conhecia,
que jesus lecionava,
agora desconfia, trai, é egoísta?
Acaso amar eu sabia?
Com que falsos mestres aprendia?
Medo eu tenho, por mim e minha família.
Ora, e se me quer tirar até o último centavo?
Que me garante que não me quer também
um carro, uma casa e uma filha?
Amor amor de um mórbido pecado,
a mesma balança acusa algo errado.
Como casam egoísmo e compaixão,
sob a benção do padre errado,
sob a alcunha de “equilíbrio”,
teimando-se lado a lado?
Mas já não está o mendigo agora,
cá sim estou eu e as esmolas.
Atrapalharam-me as filosofias, não concorda?
Deixaremos para pensar outra hora...
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Quietos!
Quietos!
Há um poeta na rua!