Ditador
Bilhões de pessoas no mundo Somos cercados por um punhado qualquer Do meu punhado, preferia ter vivido até breve Mas um médico bem intencionado Atrasou minha partida Não sabendo ele que prolongar a vida Prolonga também a dor Não é culpa dele, ele fez bem seu trabalho E é culpa de quem? Ninguém na real Pessoas são assim Machucam, matam, ferem, Mas nem é isso que mais me mata É que elas tem o ímpeto ditatorial de se relacionar Elas querem que seja como elas querem Porque elas sabem o certo Você que não consegue ver, não é? É uma insanidade que não se vejam no espelho Que se tivessem poder seriam como qualquer ditador Ou é deste jeito, ou não é de jeito nenhum. E se você acha que tá ruim, vem mais Eles não permitirão que você tenha desejos Pensamentos, vontades, dizeres, Porque isso tira deles o "direito" de serem quem são Não podem permitir outros ditadores Em geral brigam entre si Vivem em guerra, não se gostam Mas se toleram e se entendem Quem sofre? Eu, o cansado dessa merda toda Que pouco se importa Que só queria ser deixado em paz Que só queria dar sua opinião Que se enganou com a palavra relação Como se fosse via de mão dupla Mas para eles é via de mão única E o único que tem umbigo é ele É cansativo conviver com ditadores Porque mandar, chorar, reclamar, ter ideias, Fazer promessas para outros pagarem, São suas especialidades E quando quem tá perto sou eu, Quem acha que paga o Pato? E se não atendo a expectativa? Preguiçoso, acomodado, fraco, infantil... Há tantos nomes quanto a imaginação totalitária consegue pensar O que importa é ofender o ser inferior Que no caso, sou eu. Tente não obedecer a pessoa que te diz eu te amo Para você ver até onde isso vai Quem você acha que está errado? Em terra onde todos são senhores O servo ou morre de cansaço Ou se mata. Já sou o cansado, quanto tempo para evoluir?
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