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Devan

@Felipe_wgc · desde 2019

As palavras me descrevem além do que se vê. Um pouco mais feio, suponho.

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Vida

Protagonista

Não, não somos protagonistas Não, não tem nada ao nosso redor Não, não somos nem tanto e nem tão pouco Somos tão diferentes quanto comuns E por fim somos semelhantes e nada mais Porque suas vontades devem ser satisfeitas? Porque não as minhas, quem determina? Se você gosta, porque eu tenho que gostar? Se eu gosto, porque você também tem que? Não sou do time de tudo é relativo Sei que todos tem seus absolutos E numa vida onde ninguém é infinito Não pode haver protagonista que morre no final Para os que crêem em Deus Ele é único protagonista Para os que não crêem Nem ele poderia ser, pois não existe No fim não importa É você, eu, ele ou ela, não somos Protagonistas de nada E nossa vida, somos protagonistas dela? Quem foi então o protagonista de um aborto? Pois a morte encerra a questão Ainda que você faça tudo na sua vida Na vida de outro, você pode ser o vilão Sempre é vilão na vida de alguém Inevitavelmente Abra mão do protagonismo Abra mão de ser ditador No seu micro-mundo pessoal Abra mão de tentar validar sua força Provar ser o maior e mais importante Um projétil no seu peito É sua resposta para arrogância Não seja o ditador de sua casa Pare de querer que suas vontades sejam satisfeitas Pare de achar que todos devem fazer como você acha certo Isso é problema seu e de mais ninguém Ninguém, ninguém tem obrigação. Mas você tem responsabilidade sobre tudo Você é responsável por suas escolhas Você é responsável por sua interpretação da vida Você é responsável por tudo Use um pouco da sua inteligência A culpa pode ter mil nomes Mas a responsabilidade sobre sua vida é sua E ninguém tem obrigação de trazer sua felicidade Ninguém é obrigado nada para você Assuma a responsabilidade e pare transferir Nosso tempo atual tá uma merda Porque sobram quem aponta culpa É faltam quem se responsabilize Saia do protagonismo Pare de sufocar tudo e todos com seus desejos Deixe se se sentir superior e agir assim Seja semelhante e isso basta

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Devaneio 1/X

Se lê minhas poesias Pensa em mim como triste Mas se engana se visse a realidade Pois não sou a soma das leituras que faz de mim Sou a unidade e minhas poesias, apenas partes Se a qualidade é duvidosa Fiz questão de ser Não busquei parâmetros afinal Para o que quero dizer, só o dizer é suficiente Me basta, e isso basta Minha mente divaga com facilidade Ao mesmo tempo que racionaliza Também pensa porque somos assim E que isso pouco importa E a apatia é o sentimento mais comum em mim Nem tão feliz, as vezes, raramente até demais Nem tão triste, as vezes, mais vezes triste demais Mas em geral, o médio me define Não o medíocre Apenas nem tanto e nem tão pouco Por isso escrevemos de tudo Porque no final Pouco importa mesmo É só desabafo Veja, deve ser uma loucura pra você me ler Os assuntos mudam rápido Pode nem parecer ter conexão Quando chegar a essa conclusão Então saberá um pouco de ser eu E sabe o que isso importa na real? Nada Terminará essa poesia Lerá a próxima E vida que segue

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Aflição

Meus passos ansiosos Buscam uma direção Caminhando ao ermo Na expectativa de algum lugar, chegar Eu sei os limites da estrada Mas quero saber qual estrada me leva lá Na terra que faz a caminhada valer Onde habitarei sem medo, sem receio Lugar onde é meu Se bom ou ruim... Enfim, é meu Isso me basta Simplesmente basta Segurança, paz, Tranquilidade Um respiro sem receios Um suspiro sem medo Um sono calmo Um acordar normal E de normal, digo isso Normal que seja para mim Afinal, se é de mim que falo É meu normal que busco Ouço sua opinião, sugestões mil Mas aqui quem decide sou eu Meu normal, que eu quero Minha caminhada afinal Me leva a esse local? Desfruto a caminhada pois se tudo der errado Ao menos curti alguma coisa nisso tudo E sinto dizer que curto bem pouco Até o momento somo dores desnecessárias Sofrimentos e desejos de morte Mas enquanto a vida se agarra em mim, Então, o que temos pra hoje é isso

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Morte

Definho

Todo meu peito dói Minha mente não para um segundo Pensamentos cruzados Sentimento galopante Sou um caldeirão químico Em ebulição constate Buscando racionalizar para manter são O que de mim ainda resta na terra "quero morrer" Pensamento constante Flecha que atravessa minha mente Minuto a minuto Um desejo que tento refrear Toda janela, toda ponte, parece me convidar "vem, mais um passo e fim"

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Ditador

Bilhões de pessoas no mundo Somos cercados por um punhado qualquer Do meu punhado, preferia ter vivido até breve Mas um médico bem intencionado Atrasou minha partida Não sabendo ele que prolongar a vida Prolonga também a dor Não é culpa dele, ele fez bem seu trabalho E é culpa de quem? Ninguém na real Pessoas são assim Machucam, matam, ferem, Mas nem é isso que mais me mata É que elas tem o ímpeto ditatorial de se relacionar Elas querem que seja como elas querem Porque elas sabem o certo Você que não consegue ver, não é? É uma insanidade que não se vejam no espelho Que se tivessem poder seriam como qualquer ditador Ou é deste jeito, ou não é de jeito nenhum. E se você acha que tá ruim, vem mais Eles não permitirão que você tenha desejos Pensamentos, vontades, dizeres, Porque isso tira deles o "direito" de serem quem são Não podem permitir outros ditadores Em geral brigam entre si Vivem em guerra, não se gostam Mas se toleram e se entendem Quem sofre? Eu, o cansado dessa merda toda Que pouco se importa Que só queria ser deixado em paz Que só queria dar sua opinião Que se enganou com a palavra relação Como se fosse via de mão dupla Mas para eles é via de mão única E o único que tem umbigo é ele É cansativo conviver com ditadores Porque mandar, chorar, reclamar, ter ideias, Fazer promessas para outros pagarem, São suas especialidades E quando quem tá perto sou eu, Quem acha que paga o Pato? E se não atendo a expectativa? Preguiçoso, acomodado, fraco, infantil... Há tantos nomes quanto a imaginação totalitária consegue pensar O que importa é ofender o ser inferior Que no caso, sou eu. Tente não obedecer a pessoa que te diz eu te amo Para você ver até onde isso vai Quem você acha que está errado? Em terra onde todos são senhores O servo ou morre de cansaço Ou se mata. Já sou o cansado, quanto tempo para evoluir?

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Apatia

Doses de remédio pra dormir Pra tentar viver essa noite pela última vez Doses e mais doses para entorpecer Nessa vida maravilhosa de se morrer Um comprimido pra acalmar Baixar pressão e desacelerar O que me chateia é a lentidão do torpor Não me apaga e deixa lerdo Aí tomo outro diferente, junto Acelerar o processo com esperança Quem sabe uma noite mortífera afinal Mas não será tão fácil, eu sei... A manhã vai surgir, meu olho abrir A apatia reinar, expectativa a frustrar Ainda ei de domar meus sentidos A ponto de pouco me importar Perder sonhos e desejos Desistir de viver Até a vida de mim, desistir de ter Quem dera esse vazio consumisse na real O que na mente é tão presente No fim, só vejo eu Quem se importa, ninguém de fato Se eu me for hoje, amanhã é dia 2 Até lá, você que leu é testemunha Que desisti de viver, mesmo não tendo morrido Desisti de tentar encontrar felicidade Desistir de relacionar O cansaço me venceu Só espero o dia final Que um tiro, um punhal, um câncer, um tropeço Um engasgo, um detalhe qualquer e banal Me leve enfim daqui Me livre desse mal

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Quem se importa?

Minhas sombrias poesias Minha dor mais que latente Quem se importa? Na boa, ninguém Desabafo aqui, em poesias mal feitas Porque aqui ninguém conhece E quem conhece não vira aqui Minha dor precisa ser dita Não à alguém especial Mas transbordar para algum lugar Só pra aliviar Obviamente ainda se acumula Mas desabafar ajuda Porque assim, não morri ontem Ainda que amanhã não se sabe E não precisa ser motivacional É só dor que queremos matar mesmo E pouco se importam se machucam ou não O importante é o prazer de bater É batem, batem, batem... E eu? Feito pra isso mesmo Você me dirá que não? Porque? Como sabe? Se tem quem bata, tem quem apanha Não apanho porque quero Mas porque não vou bater Não vou me reduzir a eles Se bato, baterei em mim E serei mais prático que eles Baterei uma vez, por todas De uma vez

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Errado

Enfim vencido Vencido pq desisti de tentar Chegar a conclusão De que ninguém se importa mesmo É um de fato Então desisti Anular minhas vontades Deixar minhas necessidades Abrir mão de emoções Até que no limite da ponte Meu corpo caia num lampejo de desespero E se liberte das amarras naturais E se desfaça em mil ao chão Ninguém quer mudar Todos querem que mudem Todos estão certos Bom, nem todos Já que para que estejam corretos Um deve estar errado Enquanto vivo, o errado sou eu Quem deve mudar, quem deve se adequar Quem deve a vida, quem deve tudo ... Quem interessante pensar Quando meu corpo caído Em pedaços se fizer Quem será o errado da vez? Quem será o desavisado? Boa sorte ao próximo Que não seja você o errado

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Razões

Não escrevo para ser lido Escrevo para que seja escrito O que à minha boca é negada Antes ter nascido mudo Palavras que minha mente grita São tantos anos do mesmo E o monstro cresce Monstro sou eu ou quem cria ele em mim? Por fim desaguar em letras Num local neutro Para sobreviver a tudo isso Para que sobreviver? A vida assim se torna insossa E pior não é ter dúvidas Pior é duvidar

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Inutilidades

Que utilidade há na inteligência Se só serve pra ser suprimida por outrem? Que me serve consciência de ser Se tudo que sou me é negado? Me é negado o ser E me é negado o me tornar A não ser que outrem assim descida A revelia de minha querência Quem devo ser Uma inutilidade total o ser eu mesmo De que me serviria afinal Se, sendo eu apenas um mero robô Não teria qualquer problema Se as decisões serão dadas pelo ditador humano Mas enquanto humano Minha vontade tenta prevalecer contra o ditador E preciso de uma droga da obediência Para enfim ser o que minha autoridade mandar Maldita droga para me curvar Se eu preciso de uma droga Para entorpecido me tornar o que você quer Quem de fato estaria errado? Certamente eu é claro

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