Não, não somos protagonistas
Não, não tem nada ao nosso redor
Não, não somos nem tanto e nem tão pouco
Somos tão diferentes quanto comuns
E por fim somos semelhantes e nada mais
Porque suas vontades devem ser satisfeitas?
Porque não as minhas, quem determina?
Se você gosta, porque eu tenho que gostar?
Se eu gosto, porque você também tem que?
Não sou do time de tudo é relativo
Sei que todos tem seus absolutos
E numa vida onde ninguém é infinito
Não pode haver protagonista que morre no final
Para os que crêem em Deus
Ele é único protagonista
Para os que não crêem
Nem ele poderia ser, pois não existe
No fim não importa
É você, eu, ele ou ela, não somos
Protagonistas de nada
E nossa vida, somos protagonistas dela?
Quem foi então o protagonista de um aborto?
Pois a morte encerra a questão
Ainda que você faça tudo na sua vida
Na vida de outro, você pode ser o vilão
Sempre é vilão na vida de alguém
Inevitavelmente
Abra mão do protagonismo
Abra mão de ser ditador
No seu micro-mundo pessoal
Abra mão de tentar validar sua força
Provar ser o maior e mais importante
Um projétil no seu peito
É sua resposta para arrogância
Não seja o ditador de sua casa
Pare de querer que suas vontades sejam satisfeitas
Pare de achar que todos devem fazer como você acha certo
Isso é problema seu e de mais ninguém
Ninguém, ninguém tem obrigação.
Mas você tem responsabilidade sobre tudo
Você é responsável por suas escolhas
Você é responsável por sua interpretação da vida
Você é responsável por tudo
Use um pouco da sua inteligência
A culpa pode ter mil nomes
Mas a responsabilidade sobre sua vida é sua
E ninguém tem obrigação de trazer sua felicidade
Ninguém é obrigado nada para você
Assuma a responsabilidade e pare transferir
Nosso tempo atual tá uma merda
Porque sobram quem aponta culpa
É faltam quem se responsabilize
Saia do protagonismo
Pare de sufocar tudo e todos com seus desejos
Deixe se se sentir superior e agir assim
Seja semelhante e isso basta
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Se lê minhas poesias
Pensa em mim como triste
Mas se engana se visse a realidade
Pois não sou a soma das leituras que faz de mim
Sou a unidade e minhas poesias, apenas partes
Se a qualidade é duvidosa
Fiz questão de ser
Não busquei parâmetros afinal
Para o que quero dizer, só o dizer é suficiente
Me basta, e isso basta
Minha mente divaga com facilidade
Ao mesmo tempo que racionaliza
Também pensa porque somos assim
E que isso pouco importa
E a apatia é o sentimento mais comum em mim
Nem tão feliz, as vezes, raramente até demais
Nem tão triste, as vezes, mais vezes triste demais
Mas em geral, o médio me define
Não o medíocre
Apenas nem tanto e nem tão pouco
Por isso escrevemos de tudo
Porque no final
Pouco importa mesmo
É só desabafo
Veja, deve ser uma loucura pra você me ler
Os assuntos mudam rápido
Pode nem parecer ter conexão
Quando chegar a essa conclusão
Então saberá um pouco de ser eu
E sabe o que isso importa na real?
Nada
Terminará essa poesia
Lerá a próxima
E vida que segue
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Meus passos ansiosos
Buscam uma direção
Caminhando ao ermo
Na expectativa de algum lugar, chegar
Eu sei os limites da estrada
Mas quero saber qual estrada me leva lá
Na terra que faz a caminhada valer
Onde habitarei sem medo, sem receio
Lugar onde é meu
Se bom ou ruim... Enfim, é meu
Isso me basta
Simplesmente basta
Segurança, paz,
Tranquilidade
Um respiro sem receios
Um suspiro sem medo
Um sono calmo
Um acordar normal
E de normal, digo isso
Normal que seja para mim
Afinal, se é de mim que falo
É meu normal que busco
Ouço sua opinião, sugestões mil
Mas aqui quem decide sou eu
Meu normal, que eu quero
Minha caminhada afinal
Me leva a esse local?
Desfruto a caminhada pois se tudo der errado
Ao menos curti alguma coisa nisso tudo
E sinto dizer que curto bem pouco
Até o momento somo dores desnecessárias
Sofrimentos e desejos de morte
Mas enquanto a vida se agarra em mim,
Então, o que temos pra hoje é isso
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Todo meu peito dói
Minha mente não para um segundo
Pensamentos cruzados
Sentimento galopante
Sou um caldeirão químico
Em ebulição constate
Buscando racionalizar para manter são
O que de mim ainda resta na terra
"quero morrer"
Pensamento constante
Flecha que atravessa minha mente
Minuto a minuto
Um desejo que tento refrear
Toda janela, toda ponte, parece me convidar
"vem, mais um passo e fim"
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Bilhões de pessoas no mundo
Somos cercados por um punhado qualquer
Do meu punhado, preferia ter vivido até breve
Mas um médico bem intencionado
Atrasou minha partida
Não sabendo ele que prolongar a vida
Prolonga também a dor
Não é culpa dele, ele fez bem seu trabalho
E é culpa de quem? Ninguém na real
Pessoas são assim
Machucam, matam, ferem,
Mas nem é isso que mais me mata
É que elas tem o ímpeto ditatorial de se relacionar
Elas querem que seja como elas querem
Porque elas sabem o certo
Você que não consegue ver, não é?
É uma insanidade que não se vejam no espelho
Que se tivessem poder seriam como qualquer ditador
Ou é deste jeito, ou não é de jeito nenhum.
E se você acha que tá ruim, vem mais
Eles não permitirão que você tenha desejos
Pensamentos, vontades, dizeres,
Porque isso tira deles o "direito" de serem quem são
Não podem permitir outros ditadores
Em geral brigam entre si
Vivem em guerra, não se gostam
Mas se toleram e se entendem
Quem sofre?
Eu, o cansado dessa merda toda
Que pouco se importa
Que só queria ser deixado em paz
Que só queria dar sua opinião
Que se enganou com a palavra relação
Como se fosse via de mão dupla
Mas para eles é via de mão única
E o único que tem umbigo é ele
É cansativo conviver com ditadores
Porque mandar, chorar, reclamar, ter ideias,
Fazer promessas para outros pagarem,
São suas especialidades
E quando quem tá perto sou eu,
Quem acha que paga o Pato?
E se não atendo a expectativa?
Preguiçoso, acomodado, fraco, infantil...
Há tantos nomes quanto a imaginação totalitária consegue pensar
O que importa é ofender o ser inferior
Que no caso, sou eu.
Tente não obedecer a pessoa que te diz eu te amo
Para você ver até onde isso vai
Quem você acha que está errado?
Em terra onde todos são senhores
O servo ou morre de cansaço
Ou se mata.
Já sou o cansado, quanto tempo para evoluir?
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Doses de remédio pra dormir
Pra tentar viver essa noite pela última vez
Doses e mais doses para entorpecer
Nessa vida maravilhosa de se morrer
Um comprimido pra acalmar
Baixar pressão e desacelerar
O que me chateia é a lentidão do torpor
Não me apaga e deixa lerdo
Aí tomo outro diferente, junto
Acelerar o processo com esperança
Quem sabe uma noite mortífera afinal
Mas não será tão fácil, eu sei...
A manhã vai surgir, meu olho abrir
A apatia reinar, expectativa a frustrar
Ainda ei de domar meus sentidos
A ponto de pouco me importar
Perder sonhos e desejos
Desistir de viver
Até a vida de mim, desistir de ter
Quem dera esse vazio consumisse na real
O que na mente é tão presente
No fim, só vejo eu
Quem se importa, ninguém de fato
Se eu me for hoje, amanhã é dia 2
Até lá, você que leu é testemunha
Que desisti de viver, mesmo não tendo morrido
Desisti de tentar encontrar felicidade
Desistir de relacionar
O cansaço me venceu
Só espero o dia final
Que um tiro, um punhal, um câncer, um tropeço
Um engasgo, um detalhe qualquer e banal
Me leve enfim daqui
Me livre desse mal
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Minhas sombrias poesias
Minha dor mais que latente
Quem se importa?
Na boa, ninguém
Desabafo aqui, em poesias mal feitas
Porque aqui ninguém conhece
E quem conhece não vira aqui
Minha dor precisa ser dita
Não à alguém especial
Mas transbordar para algum lugar
Só pra aliviar
Obviamente ainda se acumula
Mas desabafar ajuda
Porque assim, não morri ontem
Ainda que amanhã não se sabe
E não precisa ser motivacional
É só dor que queremos matar mesmo
E pouco se importam se machucam ou não
O importante é o prazer de bater
É batem, batem, batem...
E eu? Feito pra isso mesmo
Você me dirá que não? Porque? Como sabe?
Se tem quem bata, tem quem apanha
Não apanho porque quero
Mas porque não vou bater
Não vou me reduzir a eles
Se bato, baterei em mim
E serei mais prático que eles
Baterei uma vez, por todas
De uma vez
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Enfim vencido
Vencido pq desisti de tentar
Chegar a conclusão
De que ninguém se importa mesmo
É um de fato
Então desisti
Anular minhas vontades
Deixar minhas necessidades
Abrir mão de emoções
Até que no limite da ponte
Meu corpo caia num lampejo de desespero
E se liberte das amarras naturais
E se desfaça em mil ao chão
Ninguém quer mudar
Todos querem que mudem
Todos estão certos
Bom, nem todos
Já que para que estejam corretos
Um deve estar errado
Enquanto vivo, o errado sou eu
Quem deve mudar, quem deve se adequar
Quem deve a vida, quem deve tudo
...
Quem interessante pensar
Quando meu corpo caído
Em pedaços se fizer
Quem será o errado da vez?
Quem será o desavisado?
Boa sorte ao próximo
Que não seja você o errado
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Não escrevo para ser lido
Escrevo para que seja escrito
O que à minha boca é negada
Antes ter nascido mudo
Palavras que minha mente grita
São tantos anos do mesmo
E o monstro cresce
Monstro sou eu ou quem cria ele em mim?
Por fim desaguar em letras
Num local neutro
Para sobreviver a tudo isso
Para que sobreviver?
A vida assim se torna insossa
E pior não é ter dúvidas
Pior é duvidar
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Que utilidade há na inteligência
Se só serve pra ser suprimida por outrem?
Que me serve consciência de ser
Se tudo que sou me é negado?
Me é negado o ser
E me é negado o me tornar
A não ser que outrem assim descida
A revelia de minha querência
Quem devo ser
Uma inutilidade total o ser eu mesmo
De que me serviria afinal
Se, sendo eu apenas um mero robô
Não teria qualquer problema
Se as decisões serão dadas pelo ditador humano
Mas enquanto humano
Minha vontade tenta prevalecer contra o ditador
E preciso de uma droga da obediência
Para enfim ser o que minha autoridade mandar
Maldita droga para me curvar
Se eu preciso de uma droga
Para entorpecido me tornar o que você quer
Quem de fato estaria errado?
Certamente eu é claro
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