O mar não me acalma
Maldito seja esse mar aonde meus sonhos sempre afundam, mas por que eu o xingo se eu me afogo nele também. Essa dor é uma sombra que chega antes de mim, uma dor que ocupa o espaço, um presságio, de que a solidão começou muito antes do fim, meus pensamentos são o veneno de uma verdade distorcida, mentiras horríveis que o meu próprio coração aceitou. O oceano está cheio, uma imensidão de vida mas nada transborda, sinto até uma inveja pois o resto que havia em mim já secou, olho esse azul infinito e me sinto um deserto, o peito é um buraco que nem o amor consegue tampar. Estou em um barco furado, assistindo o fim bem de perto gritando pro nada esperando me afundar, e no final o frio não vem do vento ou dessa água gelada, vem dessa ausência de uma luz que costumava ser “eu”. Sozinho, no escuro, enquanto a última estrela se apaga, descubro que o meu destino sempre foi ser o perdedor que naufraga no seu próprio barco.
Emerson Ribeiro
nossa senhora, senti lendo daqui.
KLB_poeta
obrigado pelo comentário, como poetas esses sentimentos são o que dão cor para nossa arte.