SEXTA-FEIRA
Ele gostava de cerveja gelada, e nas segundas-feiras um vinho. As tatuagens marcavam a pele, mas era a vida que ele carregava escrita no peito. Amava viver. E partiu assim... sem aviso, sem adeus, como quem sai para mais um dia de treino e nunca mais volta. As sextas ainda doem. Nós fingindo que o mundo era simples, nos chamando de os três mosqueteiros, como se nada pudesse nos separar. Você era meu pai quando precisei de colo, era força quando faltava chão, era presença que hoje vira saudade. Éramos sete. Hoje somos seis. Mas ele não virou ausência virou memória viva, virou história que a morte não apaga, virou amor que caminha comigo. Se existir algum lugar depois daqui, espero que tenha vinho às segundas, e uma mesa esperando os três mosqueteiros se encontrarem de novo. Mas ele não saiu da história. Ele virou frase repetida, virou memória automática, virou silêncio que responde quando alguém pergunta: “cê tá brincando?” Ele partiu sem adeus. Mas deixou tudo o que importa. Porque o que acontece em Nárnia… morre em Nárnia. E o amor que a gente viveu não morre nunca. - Em memória de Maikon de Oliveira Serra. Filho, Neto, Pai e Irmão amado.
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