Ponderações de um amor recorrente
Como bem sabe, o tempo passou e não somos mais adolescentes; não sei mais o que considerar, pois muito se perdeu e poucas coisas são remanescentes. Nossos sonhos ardentes de jovens descompromissados ficaram no colegial; a vida, rude e cruel, se mostrou uma vilã e desempenhou bem esse papel. As barreiras que se opuseram para nós parecem ainda erguidas; elas são um símbolo da nossa distância que insiste em nos gerar tantas feridas. Lamento por não ter podido estar em momentos cruciais da sua vida; embora minha sombra lhe tenha feito companhia quando esteve ferida. Tantas situações se passaram e não sei se seria justo nos reaproximarmos; pois ainda alimento um ideal de perfeição que pode ser cruel se falharmos. Com coração dolorido, parece que nossa história não mais condiz; mas te amei tanto que, independentemente de como for, quero apenas vê-la feliz. Já não sei se quero mais que se mova para vir em minha direção; o que não significa que já não a amo ou que perdi toda aquela paixão. Mas não gostaria que fosse artificial algo que sempre tive como especial; sempre desejei que tudo transcorresse de uma maneira única e mais natural. A tal maturidade que atingimos parece sobrepor sentimentos do passado; sufocando-os, ela faz parecer que nosso amor foi definitivamente enterrado. Nossas sensações são enganosas, nos confundindo na maior parte do tempo; mas creio que nada poderá destruir o que temos de real em sentimento. Mesmo que nunca mais nada aconteça, que fique registrada nossa história; ainda que ela esteja ficando distante e se tornando uma lembrança na memória. Talvez tudo seja erro meu por esquecer que o tempo nunca estará ao nosso dispor; e talvez, por isso, eu mereça sentir eternamente essa minha maldita dor.
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