Anuência soturna
Gosto de ter minhas convicções, mas uma dúvida insistente resolveu me importunar; fui eu quem falhou ou os seus muros me impossibilitaram de realmente lhe tocar? Eu tentei te abraçar, porém os seus traumas te abraçaram permanentemente; você deu legalidade para os atos ruins que lhe fizeram, e eles tomaram sua mente. Minhas insistências foram inúteis, já que não fez esforço para que eu a ajudasse; desse modo, lutei sozinho, fadado a perder a luta, sem que você ao menos se esforçasse. Com a sua inércia, as barreiras ao seu redor vão se fortalecendo cada vez mais; inquebráveis, os espectros do passado retornam para lhe ferir, sem que você tenha paz. Demorei para perceber que você parece não querer ajuda, e que se tornou uma refém do passado; seus olhos melancólicos enfatizam sua amargura, mostrando que não estou errado. Me senti fracassado por não ter conseguido escalar os muros que te cercam, para lhe resgatar; mas mudei minha ótica ao confirmar que não me queria mais por perto, após tanto lutar. Fiquei aturdido ao ver que se misturou com seus demônios atrás dos muros, não vendo que corre perigo; e, consequentemente, quem vem de fora, como eu, acaba sendo, para você, um inimigo. Consciente, resolvi me retirar, levando comigo a minha metade e lhe deixando sozinha com a sua; ou melhor, lhe deixando com as trevas que gosta de alimentar, pois com elas você pactua.
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