E. J. C. King @EJCKing
Poema

Relógios - E. J. C. King

Nesta casa há muitos relógios que brigam entre si: quem traz consigo a exatidão da hora? Em cada cômodo, cada um desses objetos reivindica a exatidão do tempo enquanto nós, arbitrários, damos uma sentença: é que na casa cada um tem o tempo que lhe convém, de modo que temos como certa e exata a nossa vontade. Se temos fome, olhamos para o relógio que aponta meio dia; se temos sono, para o que diz que já passa das dez da noite. Se insones, ficamos com aquele que deixou de girar o seu ponteiro ás duas da tarde. E quando estamos todos de acordo, o tempo não existe e os relógios, inúteis, reivindicam a exatidão que jamais existirá. Direitos autorais: E. J. C. King

Comentários · 2

  1. Jhonny

    Gostei bastante, amo observar a complexidade do tempo.

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    1. E. J. C. King

      Obrigada.

  2. Nilza Poetisa

    Verdsde dos relógios nem sempre são as nossas. Perfeito.