O silêncio da rua vazia me inveja.
Os pensamentos chegam em forma de tragédia.
A brisa da noite fria toca minha alma.
O medo do novo me sufoca.
Interessante mesmo é criar um mundo,
onde não me machuco e tudo é perfeito.
Cômico é descobri que esse lugar que agora imperfeito, machuca e destrói a alma por inteiro.
Construí uma muralha em minha volta, para que não haja derrota. Porém, ao sinal de conquistas ilusórias, a falta de sabedoria por estar escondida na câmara de evitar todos me presenteia com a solidão caminhando de volta.
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Faltar, às vezes faz falta.
E quando lhe falta o ar?
É angustiante lidar com seus fantasmas.
Falta o ar.
Falta alguém.
Falta a vida.
Falta a paz.
Creio que faz falta que faltem todas essas faltas.
Direitos autorais: E. J. C. King
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Esse maldito espelho
Nele o reflexo que anseio
Porém, o externo ainda que inteiro
Esconde um coração sangrando sem freio
A noite foi dura
Eu querendo minha cura
No lugar do vazio
Eu só queria algo menos frio
Direitos autorais: E. J. C. King
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Como se habitasse o vazio,
vozes e vontades me alcançam quando já
estou nas profundezas
de um sono desperto,
letárgico
e alérgico a novas esperanças e amores.
Já não me dizem nada certas canções que costumávamos ouvir, as melodias nada mais são que as cascas de uma ferida aberta não sei mais quando, provavelmente
dos tempos em que, imitando um equilibrista, tentei atravessar as bambas almas de tantos amados.
No porão oculto,
fotografias que se desbotam
já quase não reconheço
estes ou aqueles e também algumas outras,
já há um tempo que não desço aqueles degraus rangentes e pode até ser que já não haja nenhum rosto por trás das molduras.
Oníricos, homens me acolhem
e depois me jogam de volta
ao mundo dos despertos no qual não me sinto mais integrado como nos primeiros tempos, pelo contrário,
desintegro-me como as rochas onde rupestres artes deixaram aqueles que já não mais: cicatrizes por todo o corpo, rústicas representações de quando homem e amor perseguiam-se mutuamente
onde abater ou ser abatido
dava na mesma.
E isso há tanto tempo,
que ainda carne e espírito
viviam em comunhão.
Direitos Autorais: E. J. C. King
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Mesmo que exista o vendaval.
Mesmo que hajam pedras no caminho.
Mesmo que tenha dor no escuro da tua alma.
Mesmo que você se canse da mente atormentada.
Pra tudo isso existirá saída, afinal.
Mesmo que você se sinta em um redemoinho.
Deus sempre lhe carregará em sua palma.
E no fim você entenderá que é amada sua alma.
Direitos autorais: E. J. C. King
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Apaguei todas as luzes do quarto e fechei as cortinas da janela, na ânsia de fechar os olhos e fazer o caos que pesavam meus pensamentos desaparecerem.
Foi inútil, pois ele permanecia intacto. Eu sentia a dor da desordem.
Desisti de dormir e abri os olhos. Só havia a escuridão e angústia. Eu estava à beira de uma crise. Pensamentos confusos transitavam dentro da minha cabeça e atropelavam as idéias que eu tentava organizar. Meu coração batia descompassado e me faltava ar.
Não pretendo romantizar essa merda, não existe nada de bom em se sentir assim. Na verdade não existe nada de bom e agradável dentro de mim.
Levantei e fui para frente do espelho, na busca de achar na figura do reflexo, algo que ainda restasse de mim. Assim talvez conseguisse controlar minha crise.
Respirei uma, duas, mil vezes. Nada! Nada adiantava. Eu me olhava e não me reconhecia. Não sabia o que havia me tornado. Algo mudou. Meus sonhos não existiam mais, minha forma de sentir afeto pelas pessoas era totalmente aversiva.
Dentro de mim havia uma natureza extinta. Minha natureza não queria seguir regras, padrões, ser aprisionada. Ela queria ser livre. Ser o que é. Mas as grades que me eram impostas eram fortes e sólidas. Por mais que eu me debatesse e me ferisse, não conseguiria sair de dentro da jaula, e isso estava me matando.
Por mais que eu pedisse socorro e gritasse, ninguém me ouvia. As pessoas não só não compreendiam como me oprimiam. Julgavam-me como insano, sem controle, alguém fraco, eu era um peso.
Eu não queria ferir ninguém. Só queria ter a liberdade de ser eu. Mas o que eu era, de fato, só trazia dor. Não sei se posso suportar o fato de machucar mais alguém.
Preciso fugir e desaparecer, na mesma escuridão que meus pensamentos se confundem. Porque de fato me tornei vazia e a própria escuridão me tomou por inteira.
Está frio aqui. É certo que continue.
Direitos autorais: E. J. C. King
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Nesta casa há muitos relógios que brigam entre si: quem traz consigo a exatidão da hora?
Em cada cômodo,
cada um desses objetos reivindica
a exatidão do tempo enquanto nós, arbitrários,
damos uma sentença:
é que na casa cada um
tem o tempo que lhe convém,
de modo que temos como certa
e exata a nossa vontade.
Se temos fome, olhamos para o relógio que aponta meio dia;
se temos sono, para o que diz que já passa das dez da noite.
Se insones, ficamos com aquele que deixou de girar o seu ponteiro ás duas da tarde. E quando estamos todos de acordo,
o tempo não existe
e os relógios, inúteis, reivindicam a exatidão
que jamais existirá.
Direitos autorais: E. J. C. King
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Noite fria.
Rua vazia.
Mente solitária.
Eu a procura do que me encantaria.
Alma abatida.
Pois, sempre esteve contida.
A tristeza sempre tão intrometida.
Me deixava ao sofrimento, submetida.
Direitos autorais: E. J. C. King
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