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Drikacomo

@Drikacomo · desde 2025

42 poemas 12 seguidores 7 seguindo

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O pão do diabo

Com suas mãos vermelhas Fortes e grandes Realmente ameaçadoras Cujo cheiro e aparência remetem a violência De onde escorre sangue Com essas mesmas mãos que engana e convencem Seduzem por seu poder e sua beleza obscena Ele amassou o pão Sovou com malícia e vontade Assou o pão no fogo tão familiar a ele No fogo de suas profundezas E nós o comemos Porque quem tem fome não pode escolher

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Pobre meninas rica

Sim, eu senti dó dela Sim, ela é rica Ela tem 14 e o peso do futuro nas costas "Eu tenho que ser bonita" Ela disse "Vou ser dermatologista para ser sempre jovem" "Eu tenho que ser alguém" "Eu sou o investimento dos meus pais" "Minha avó quer que eu seja magra" É só um poema Mas ela realmente me disse essas coisas Minha aluna rica Do alto da minha pobreza Da minha falta de metas sensacionais Eu senti dó Da pobre meninas rica

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A casa

Paredes mofadas e rachadas Pintura descascando Chão encardido de gordura onde as baratas se alimentam O quarto da bagunça é a casa toda Uma porta não fecha a outra não abre direito porque raspa no chão As pias vazam A sujeira está tão impregnada que faz parte do chão e dos móveis Ninguém vai limpar nada, ninguém é obrigado É mágoa, é mágoa Perdão é um solvente que não existe nessa casa

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Cantinhos

Eu gosto de cantinhos Onde as paredes tetos e pisos se encontram Onde formam pirâmides nos vácuos Eu queria ser essas pirâmides Pirâmides com olhos Que vêem e pensam Que sentem Mas não fazem nada Só se encaixam

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Não corre menina

Eles vão continuar onde estão Não importa se você anda ou corre Eu sei que você os quer Eu também queria Também quero Essa é a regra Agente espera Não é justo, eu sei Eles podem vir mas agente só pode esperar Nesse mundo de regras prontas onde chegamos O negócio é segui-las Pelo menos na maioria das vezes Fica na sua Espera A vida de uma mulher é esperar Tomar banho frio Se comportar Mulher não deseja, não luta Não grita, não corre Só chora Mas chora baixinho Parece que as coisas estão mudando Mas não mudaram nada Agente tem que ter medo dos lobos Os reais e os virtuais Morro de medo da língua de lobo Ela é ácida Ela produz olhos que vêem o mal Quem sabe um dia Filha Vamos correr com eles Correr com lobos

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Lança perfume

Era uma vez uma eu bem mais jovem Que experimentou lança-perfume no carnaval Eu lembro de me levantar, fechar os olhos e e me sentir um vácuo Eu era um contorno As coisas aconteciam em volta Vinham estrelas coloridas e brilhantes de dentro de mim Pra dentro de mim Passavam por mim Foi muito bom Era uma vez uma eu bem mais velha Passando muitos dias sem sentir muita coisa Só ansiedade Só pânico Só desânimo, desesperança Nada Chega disso Num banho fechei os olhos e tentei lembrar das últimas vezes que senti felicidade Quando a Alice me contou coisas que eu nunca contaria para minha mãe na idade dela Quando a Bianca sorriu para mim só porque eu estava ao seu lado Quando eu sentei na grama para montar uma barraca com o meu pai Eu era um vácuo de novo Com a água morna caindo nos meus contornos Tudo acontecendo em volta E as minhas estrelas passando por mim Vindo de dentro pra fora E de fora pra dentro

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Jeito estranho

O povo conclui Que normal nunca fui Alguns riram, feriram, subiram, despiram Olharam, amaram, imaginaram, ficaram, satirizaram, abandonaram Tal qual atração de circo Tal qual um cisco, um risco Respiro, ando, como, trabalho Quanto eu valho? Minha grande diferença? Motivo da desavença Não é não ter Ninguém tem tudo que quer É não querer o todo mundo quer E o que eu quero? Meu desejo sincero Não é iPhone, Disney, Prada ou Louis Vitton Na loja da esquina eu compro meu batom Eu quero sentir Trabalhar Produzir Viver Eu quero querer uma coisa diferente todo dia Eu quero escrever poesia

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O corpo

Hoje ela usa um vestido Aquele barato de tecido leve Que cobre tudo Mas marca cada curva e cada movimento Tem aquelas curvas e movimentos que ela não gosta mas são parte dela e mesmo esses capturam olhares As unhas sem fazer e o rosto sem maquiagem Ela mesma Por baixo, roupas confortáveis que deixam o corpo ser o que é A pele, a gordura e os músculos balançam a cada passo, a cada giro, a cada pulo Não há nada do que ter vergonha Claro que ela sabe que ele a olha Claro que sabe o que acontece por baixo do shorts É só um shorts velho por baixo tem vida potente e pulsante Seu vigor transparece sob o sol Ela não precisa de modelos ou de ratos de academia Existe força ali, existe uma barba sem fazer, um cabelo fora do corte Sem camisa, a pela mostra a história de uma vida real Agora existem duas pessoas juntas Cujas felicidades não são instagramaveis E essas felicidades podem estar dentro de tudo: juventude e maturidade, robustez e magreza, sabedoria e sonho Tudo é beleza Quando o corpo é respeitado Quando o corpo é compreendido

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Tentação

Jurei que nunca escreveria um poema de amor E por mais que pareça Esse não é um poema de amor Juntos a tanto tempo nós estamos É tão engraçado perceber o quanto eu era cega Cega de amor? Não, simplesmente cega mesmo Eu não tinha olhos para ver Mas que interessante, os olhos cresceram E eu te vi E eu vi como você sempre me traiu Desde o começo Nunca parou Não sei porque eu não enxergava traição como traição Para mim era só mais uma coisa que os homens fazem Não vou mais escrever sobre outras coisas fingindo que isso não pode acontecer comigo Fui traída sim, como qualquer um pode ser Na verdade, percebi há muito tempo mas fazia questão de esquecer De negar Vou tatuar na minha pele Olhar todo dia Fazer questão de lembrar A diferença é que agora eu sei que a culpa não é minha Não choro mais de raiva de mim mesma Nem choro mais de raiva dele Nem choro mais Desse labirinto intricado eu peço uma saída A quem quer que queira me ajudar Mas lá no fundo Eu tenho outro desejo Um desejo obscuro e antigo Já que ele pode Eu também posso Deus me condenaria se soubesse Mas depende de que Deus estamos falando Eu peço a um deles A um desses deuses Uma oportunidade de experimentar Como é provar do fruto proibido? Quente e pulsante Que envolve o corpo Que faz gemer Que tem que esconder Como é voltar pra casa com cheiro de pecado? Com a sensação do toque de outro por toda a pele? Como é ter que esconder um sorrisinho malicioso que escapa na ceia de natal? Deve ser deliciosamente horrível Deus me livre desses pensamentos impuros Que ninguém nunca me ouça Só você

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Amargura

A pinga que você bebe amarga a minha boca Quem dera fosse por causa dos beijos Quem dera eu ainda quisesse beijar-te Me amarga porque está grudado em mim Os anos são cola quente que se esquece que é cola Pensa que é pele Te odeio Me fez mulher amarga Uma vez fui doce e ardente Ai Deus! Se um dia essa cola derrete Minhas asas crescem de novo Se um dia essa cola derrete Eu descubro quem eu sou

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