Marcelo Aug @Desiludido
Poesia

Chuva que pensa

A chuva cai — mas não é água: é o destino pingando dúvidas sobre o guarda-chuva improvisado que chamamos de certeza. As nuvens, cúmplices, carregam o peso do que ainda não sabemos, e mesmo assim prometem liberdade no instante em que rompem e desabam. A vulnerabilidade, então, escorre pelas frestas da pele, e o amadurecimento nasce no desconforto líquido do que molha o pensamento e não pede licença. Porque as lições nunca vêm secas: chegam encharcadas, transbordando perguntas, fazendo poças onde pisamos e reflexos onde evitamos olhar. E no fim, aprendemos que crescer é aceitar que o guarda-chuva protege, mas também aprisiona — e às vezes é preciso fechar a armação, deixar as águas baterem no rosto e permitir que a tempestade revele quem realmente somos. (Marcelo Aug)

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