Hoje foi o último adeus que a Lua me deu,
Do alto me acompanha enquanto caminho,
Me acenaram também as estrelas de Morfeu,
Para o duelo que comigo terei sozinho..
Esvaiu-se a triste essência que me habita,
Cujo clamor chegou ao profundo oceano,
Mas tal clamor que levou de mim a vida,
Não encontrou alma neste mundo insano..
Observo as faces das ruas que me cercam,
Atrevidas dançarinas desta vida que perfaço,
Pela dor que me infligem bailam e celebram,
Enquanto em fagulhas do tempo me desfaço..
Os astros celestes enfim se apagaram,
Desfez-se o tempo e partiram as lembranças,
Levaram as imagens que minha vida encantaram,
Restando ao silêncio velar a esperança..
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Confiei ao anjo confidente que me visita,
Nas noites de insones névoas prateadas,
que o tormento em mim não mais habita,
Expulso pelo beijo de minha eterna amada..
Guardei para ela o momento perfeito,
O tempo inexistente que se oculta,
Do mundo na alma de um homem desfeito,
Pela beleza cujo encanto a razão sepulta..
Procuro os detalhes em seu terno semblante ,
Teus passos delicados como um desenho de arte,
Tua silhueta e teu perfume inebriante,
Que fazem em meu ser vital parte..
Apareça e liberte-me da infame solidão,
Algoz carrasco que me segue com ousadia,
Se a morte contigo for a resposta então,
Para amá-la eternamente morrerei todo dia..
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Hoje guardei novamente as jóias secretas,
As pedras que encantaram o corpo de Hera,
Com seu brilho estrelado a mim confiaram,
Destinadas ao amor que me revelaram..
Os anéis esperam pelos delicados dedos,
E contemplo teu pescoço divino de marfim,
Procura o colar tua silhueta desde cedo,
Para completar tua beleza sem fim..
Hoje guardei novamente as jóias celestes,
E abri o cofre do jardim mais uma vez,
Vaguei com as jóias pelo mundo que fizeste,
Para que cumpram o desejo de quem as fez..
Anseio pelo dia em que a verei distante,
bailando ao vento como fada graciosa,
Então a tomarei eternamente num instante,
E lhe darei meu coração como jóia valiosa..
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Hoje me aproximei do luto,
Solitário viajante que dos céus observava,
O clamor incessante à voz que não mais escuto,
Enquanto com a Lua o luto me acenava..
Quando derramou a noite sobre mim,
o manto das dores que bailavam como fadas,
Desfez-se o castelo secreto de marfim,
Refúgio da esperança de minha vida agraciada..
Então dos céus desceu o luto a terra,
Brilhando como um raio a mim apareceu,
E com semblante enlutado pela guerra,
Finalmente ao silêncio das palavras cedeu:
"Acaso não seria eu a presença indesejada,
aos homens deste mundo que de mim fogem?
Mal sabem que busco as dores que os consomem,
E as conduzo para o descanso de sua eterna morada.."
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Ahh.. quem me dera que ao primeiro raio,
Que sobre mim o sol, como a precisa,
flecha que ao meu corpo atraio,
Libertasse da dor etérea que me agoniza..
Então partiria eu numa secreta jornada,
Desafiando o tempo e atravessando as eras,
E do reino intocado das ninfas e feras,
Descobrisse ser esta minha real morada..
Tornou-se assim o universo que observa,
A ilusão eterna de uma pérfida noite,
E se desfez na realidade que me consterna,
Em que o mero instante agora é meu açoite..
Fujo do tempo, da existência forjada,
Dos vis encantos da tola humanidade,
Fujo do apelo inaudível das almas veladas,
Que clamam noite e dia por piedade..
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Enquanto atravessava eu o deserto do Norte,
Sob o julgo do sol, implacável acompanhante,
Procurava como nunca fizera antes,
O mais desejado de todos os consortes..
Então no caminho encontrou-me um anjo,
Este mítico ser de semblante perfeito,
Emanando do céu o brilho estrelado,
Respondeu-me do intento por mim desejado:
"Procuras as lembranças inexistentes,
As palavras não ditas, as ausências não tidas,
Procuras a dor não sentida, o amor
não vivido, e os caminhos jamais percorridos.."
"Tolo! O que procuras não pode ser achado,
Lá oculto nas sombras do tempo,
Escondido reside o sábio esquecimento,
Quanto a ti?.. ao passado estarás para sempre atado.."
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Persegue-me a Quimera da noite,
Enviada por Hades se aproxima ela,
Não com a fúria dos Deuses conhecidos,
Procura-me entre os mortais perdidos..
Escondo-me nas sombras esquecidas,
onde nenhum'alma mais habita,
Enquanto em bela a Quimera se fizera,
Descubro o segredo astuto que trouxera..
Clamo as estrelas que me atendam,
E os espectros guardiões desçam à terra,
Tragam com eles o valente Pégaso,
Heróica criatura de passadas guerras..
Agora me asilo no labirinto encantado,
Refúgio de lembranças e sonhos alheios,
Além do reino de Poseidon tenho rogado:
"Impeçam do intento a que ao mundo veio.."
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Quisera o destino tornar-se em mim,
Companheira de noites outrora serenas,
Cujas estrelas no firmamento sem fim,
Contemplam minha eterna fuga terrena..
Atravesso as eras e o tempo,
Resisto às súplicas que proferes,
Como encantos em mim lançados ,
Escondo-me de teu abraço que me fere..
Ahhh vil presença que a minh'alma açoita,
Incansável foste nos desígnios,
e infortúnios que me impuseste,
Estou atado ao mundo como me disseste?..
Enquanto derrama seu manto a noite,
Assombra-me de novo com sua presença,
E mesmo no descanso de tua ausência,
Perante todos decreta-me tua sentença..
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Procuro por tua face nas ruas,
Enquanto caminho por vielas,
E becos que pranteiam a dor,
De meu desencontro com o amor..
Procuro por tua face na multidão,
Entre milhares de silenciosas almas,
Num caminhar constante, profundo,
Que me deixa no mundo sem rumo..
Procuro por tua face entre as flores,
Que do jardim me acenam enquanto,
Bailam ao vento as folhas de outono,
E por tua face mais me apaixono..
Procuro por tua face nos céus,
Na terra, nos temidos abismos,
Navego em desconhecidos mares,
Procuro por tua face em todos lugares..
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