Cris de Marmelo @CrisJr
Fantasia

Árvore de Balões

Dona Nida amarrou mais um balão naqueles galhos, E quem viu foi Dona Cida que arrumava os espantalhos De manhã quando o Sol já nascia avermelhado, E as pombas, todas tontas, voavam pra todo lado. Os balões já amarrados logo deram o seu berro Anunciando a chegada da criatura de ferro. Dona Cida distraia todas pombas com pipoca, E os espantalhos espantaram o Sol pra sua toca. Ouviu-se um, dois, três balões estourados, Uma fria sinfonia crua que fazia os seus agrados. A criatura de ferro, que saboreia esses momentos, Dava a Nida e Cida os seus devidos pagamentos. Todos os dias chegam novos balões no orfanato E Dona Nida, prontamente, realiza o seu ato. Dona Cida, a mais esperta, esconde os contos Que são tão tortos quanto suas linhas e pontos. Tudo bem debaixo do nariz do Sol avermelhado Que mesmo sendo tão atento sempre é espantado. E nem as pombas, nem os espantalhos, sabem do fato, Ou do ato, ou dos contos, ou dos galhos no mato. A única coisa que as paredes e todo mundo sabe É que, antes que o trabalho das estrelas acabe, A criatura de ferro faz no orfanato sua ronda. E antes mesmo que todo o mistério se responda, Saiba que nem tudo é o que parece ou se sabe. A semente, antes de crescer, em qualquer canto cabe, Depois de grande, se torna árvore escondida por balões.

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