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Cris de Marmelo

@CrisJr · desde 2018

Agente do caos, poeta por diversão.

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Vida

Acróstico - VIDA

Várias vezes perguntei a Deus "Isso é o que tens para mim?" Deus nunca me respondeu. Ademais, nunca me matou.

Acróstico — ESCREVER

Eu até tento me conter, Seguro com todas as forças, Confino qualquer intenção, Retenho todas as palavras, E elas sempre escapam; Vazam pelos meus dedos Em forma de poesia Regando os meus cadernos.

Amor

Fogo

Acendo uma fogueira quando é frio. Não faz frio do lado de fora, Mas, sim, nesse peito que chora. Como, pois, farei agora? Escrevo poesias para você. Escrevo-as uma por uma; Rasgo-as uma por uma; Queimo-as na fogueira do coração. Nota: Poema revisado e reescrito. Original: "O Fogo" (out. 2025)

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Poesia

Versos molhados

Quanto importa que eu escreva? Importam os gritos que escondi; Importa o tanto que explodi; Importa o sapo que engoli; Importa o tempo que não vi; Importa a jaula em que vivi; Importa o tanto que lutei; Importa o quanto eu sangrei; Importam as vezes que morri; E, mais ainda, Importam os dias que renasci.

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Poesia

Conto de Fadas

E se eu escrevesse uma poesia aqui? Não, não, não; brega demais! Quem se importa com produção cultural? Ainda mais dum poeta amador. É melhor eu escrever nada, É melhor eu nem arriscar, É melhor eu afogar esse pensamento E deixar as ideias morrerem comigo. Mas, e se alguém por aí se importar? Aí, talvez, seria outra história — Um conto de fadas.

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Sociedade

Talvez esta seja minha última poesia

É chegado o tempo. A espada do Senhor virá sobre o Brasil, E fará "justiça" em nome de Deus. Escondam-se os "maus", Fujam os "perversos", Não sobrará nenhum de vocês Quando brandir a espada. Corram para os buracos, Vistam suas máscaras, Talvez, assim, escapem dos olhos que tudo vêem. Músicos, toquem a última canção, Poetas, escrevam o último verso, Livres, dêem seu último respiro, Pois todos serão degolados pela espada do Senhor.

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Fantasia

Árvore de Balões

Dona Nida amarrou mais um balão naqueles galhos, E quem viu foi Dona Cida que arrumava os espantalhos De manhã quando o Sol já nascia avermelhado, E as pombas, todas tontas, voavam pra todo lado. Os balões já amarrados logo deram o seu berro Anunciando a chegada da criatura de ferro. Dona Cida distraia todas pombas com pipoca, E os espantalhos espantaram o Sol pra sua toca. Ouviu-se um, dois, três balões estourados, Uma fria sinfonia crua que fazia os seus agrados. A criatura de ferro, que saboreia esses momentos, Dava a Nida e Cida os seus devidos pagamentos. Todos os dias chegam novos balões no orfanato E Dona Nida, prontamente, realiza o seu ato. Dona Cida, a mais esperta, esconde os contos Que são tão tortos quanto suas linhas e pontos. Tudo bem debaixo do nariz do Sol avermelhado Que mesmo sendo tão atento sempre é espantado. E nem as pombas, nem os espantalhos, sabem do fato, Ou do ato, ou dos contos, ou dos galhos no mato. A única coisa que as paredes e todo mundo sabe É que, antes que o trabalho das estrelas acabe, A criatura de ferro faz no orfanato sua ronda. E antes mesmo que todo o mistério se responda, Saiba que nem tudo é o que parece ou se sabe. A semente, antes de crescer, em qualquer canto cabe, Depois de grande, se torna árvore escondida por balões.

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Sociedade

Mar de agulhas

Sempre que digo alguma coisa, risos e gargalhadas nascem. Algumas delas, poucas delas, são tão saborosas que me fazem cócegas. Todo o resto são agulhas que penetram cada vez mais fundo, e mais ainda. Meu coração já não sabe se continua batendo ou estanca o sangramento. Eu mesmo já não sei se continuo dizendo ou se me calo de uma vez. Independente da decisão, nenhum daqueles olhos jamais me enxergará. Na verdade, ou veem as palavras que me vestem ou não veem nada. Logo eu que vejo tantas cores pelas brechas daqueles olhos sem cor. Por que será que tentam esconder essas cores que são tão deles? Por que estouram os balões coloridos uns dos outros sem pena? Talvez eu não fique calado, talvez minhas mãos decidam por mim, Talvez eu não responda por mim quando essas cores explodirem dentro de mim.

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Sociedade

Os que se acham

Lá vem o prato, Aquele chato… Veio se exibir. Só porque é quadrado, Pintadinho de dourado, Dentro e fora adornado, Acha que é melhor. Nem se ele fosse de ouro, Ou parte de algum tesouro, Teria real valor. Sabe o porquê? Porque nada tem valor Até que alguém diga que tem. E quem será esse alguém? Ninguém, todos se acham melhor. Estão sempre te olhando, Bem de perto te cuidando, Anotando tudo e te julgando. Você vem se exibir Logo para o chifre da cabra E eu não meço minha palavra. _Cris de Marmelo_ _12/09/2026_

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Vida

Ego em Xeque

Quando será o dia da minha morte? Digo, aquela física, Aquela uma que seria a última, Afinal, posso morrer e estar vivo, E morrer de novo, e de novo, e de novo. Mas torno a perguntar, quando será? Confesso que me cansei de morrer. E quando eu morrer, terei descanso? Digo, deixarei de existir, Ou o lado de lá é tão ruim quanto aqui? Afinal, só quero deixar de sentir E poder dormir, e sonhar e sonhar. Por isso, pergunto ainda, como será? Não posso mentir, temo o lado de lá. E o que é que me segura aqui? Digo, não morro por medo, Ou por ter o orgulho tão inflado? Afinal, odeio a ideia de perder E morrer talvez seja uma derrota. Confesso que já me sinto derrotado, Então por que preciso viver?

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