Joseph Pill @Crescencio
Poema

Doses

Tenho feito o hábito de tomar doses diárias de uma bebida misteriosa que resulta em descobertas diferentes, dia após dia. Entro, sento-me isoladamente no canto do bar e peço ao garçom um gole da dose. Ele me traz a bebida sobreposta numa tabuleta e as cores assim como os efeitos sempre variam ao consumir. - Qual será o mistério de hoje, nobre garçom? Pergunto diretamente sem muitas emoções. Ele me responde - Isso depende, pois as bebidas são feitas de acordo com o cliente e o momento presente: que é esse do qual você experimenta; e não pode ser previsto nem alterado. - Agradeço pela incerteza, respondo eu. Essas doses diárias são sempre necessárias. Isso concluí tem um bom tempo e sempre me inclino ao consumo das mesmas. Como dito, os efeitos e cores variam, as vezes o garçom me traz algo branco de cor amarga e com o primeiro gole já me sinto com fortes dores de cabeça e confusão mental - é a Dose de Consciência. Por vezes algo de amarelo e doce como o mel, bebo, e sinto uma epifania momentânea, uma alegria pura e completa, que se entende por um longo período de tempo - é a Dose de Felicidade. Mas têm tido um bom tempo em que o garçom me trás o mesmo copo, a mesma cor e o mesmo efeito: algo azul escuro, com certa profundidade na bebida, um gosto não tão doce, mas também não tão amargo - essas são minhas Doses de Melancolia, que se tornam presentes, dia após dia.

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