Eu gosto de abraços.
Apertados. Sim.
Não é tão fácil falar sobre isso.
Sobre abraços.
Mas…
É bom, é muito bom.
Eu gosto de sentir, entende?
O calor do outro, me abraçando.
As vezes é difícil pedir por um,
Por um abraço.
Mas eu peço mesmo assim.
Eu gosto de amar, e você?
Pode me dizer,
Enquanto me abraça.
Porque eu gosto de ouvir.
Eu gosto de muitas coisas.
E também de abraços…
Eu gosto de abraços.
— Voz de Pedro Emanuel
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"Meu amor não morreu: perdeu-se.
Ele existe. Mas eu não o quero mais"
Cecília Meireles —
Imagine um ponto de luz numa sala escura.
Somos nós, iluminando quem somos.
Um clarão numa sala de paredes brancas.
E então a vida ensina a como dizer:
"Eu sou...",
Ensina a nos enfeitarmos com:
Prismas
Blocos
Espelhos.
Criando novas sombras, novas cores,
novas formas.
Mudamos como esse brilho
brilha nas paredes brancas.
Mas é sempre o mesmo ponto de luz.
— Voz de Ekwissul
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Eu queria dizer que o amo.
Pedir desculpas mais outra vez,
e a cada dia que se completasse.
Queria poder voltar a anos atrás,
Encontrar meu eu que era ainda mais frágil,
Abraçar tão forte até quase chorar junto com ele,
Queria o dizer que vai ficar tudo bem.
E enquanto aquele garotinho sensível
Chorasse nos seus próprios ombros,
Eu diria que o mundo vai piorar,
Que tudo ao redor dele
E dentro dele
Vai desmoronar aos poucos e mais rápido
A cada dia.
Mas não chore criança,
Continue de pé, firme.
Não se deixe abalar.
Queria dizer que o amo outra vez,
Dedicar a mesma música, num novo momento.
Queria dizer que sou um otimista sem salvação.
Pois você não me convenceu de que "está tudo bem".
Mas eu sigo tentando acreditar.
Olha só... Já é primeiro de abril.
Então eu deveria dizer que nada eu quero falar.
(Mas eu quero, e como um otimista incurável, vou ficar calado)
— Voz de Pedro Emanuel
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Alecrins dourados persistem admirados,
Pelos campos alvos da minha consciência.
Eternos momentos que sempre lembrados
Levam consigo tuas tristes vivências.
Sem cessar mesmo nunca semeados,
Brotam irregulares no vasto jardim.
E colhendo os frutos caminho apressado
Até as colinas peroladas daqueles alecrins.
— Voz da Florista
Achei nos meus rascunhos, acho que esqueci de postar kakakakaka 😅😅😅
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E se meu maior medo é na verdade, as pessoas me verem, do meus jeito que eu me vejo?
Manhãs de céu ainda preto:
Chuva.
Janela.
Escuro.
Eu ainda vejo seu nome:
Nas gotas de água.
Às pedras da estrada.
Segue-me. Sem parar.
E volto sempre a pensar:
Como foi amar.
Como vou amar.
Como amar?
Termino a manhã da madrugada:
O fundo de um copo vazio.
As ruas ainda solitárias.
Meu cabelo que preciso lavar.
— Voz de Pedro Emanuel
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Ele está suando debaixo de seu terno e cartola, várias pessoas que se apressam para suas casas ou trabalho se incomodam com essa presença intacta no meio do caminho.
Ela está impotente, segura um bilhete na mão e seu vestido rosa contrasta com o ambiente — eles devem ter menos de um minuto até o trem chegar.
Mas mesmo assim, eles ficam alí, parados, se encarando. Os outros passam por eles como borrões sem sentidos, enquanto suas pupilas dilatam e seus olhos piscam cada vez menos, cada vez mais marejados, até que essas janelas secarem nunca mais seja um risco.
O bilhete escorrega pelos dedos sem forças da mulher de rosa, e apenas uma criança que acompanha sua mãe nota o papel flutuar pelo ar poluído.
Está abafado, o cheiro de vapor e diesel deixa tudo ainda mais quente e veloz — esse lugar é assim, onde tudo é rápido e sem apreciação, onde nada importa contanto que seja eficiente. E com poucos segundos restantes, ambos permanecem parados.
— Voz da Florista
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O véu de estrelas toneia o azul meia noite — uma cor que só o céu do campo sabe vestir. As estrelas, tão medrosas, formam desenhos pontilhados, brincando com a imaginação do seu palco.
Cruzeiro sul...
Cão maior...
Escorpião...
Centauro...
Sem enjoar, todas as noites, a flor carmesim dos campos de marfim, observa a arte das brilhantes celestes. Fascina-se sem nunca saturar: o campinho esbranquiçado, travado à mais pura perfeição, belo como todo o céu de veludo, admirável sem outrora — via láctea.
— Voz de Pedro Emanuel
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=== (confissão ou auto-compreensão) ===
Pelo visto, eu vou ter que aceitar:
Eu o amo
Amo...
...amo
Amo?
Sim.
Mas sabe de uma coisa?
Isso já não faz mais diferença
— Voz de Pedro Emanuel
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