Morte
Constantemente brinco com a morte — Morte minha, que vens me visitar, por que insistes, incessante, em me querer? Tu és um sopro de esperança na escuridão, sabendo que tudo que faço é por ter a certeza de que um dia tu virás e me levarás contigo. Em comunhão, iremos acalmar a dor que habita na matéria que me veste, onde minha alma é apenas um hóspede cansado, que vegeta na sobrevivência do existir, sem ao menos sentir. Ó morte, morte minha, por que a dor me guia e a solidão é minha única companheira? Se tu me levaste, seria então o instante em que meu espírito, liberto, se desprenderia da suja matéria que insiste em me prender. Mas, no fim, morte, tu sabes quem sou?
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