No ônibus
Todo dia Os mesmos rostos Parados em uma fila O mesmo bom dia Como um ritual De simpatia Ansiosos pela partida. Rostos familiares Que dividem o espaço, Mas não interajo. Não sei o que guardam Por trás daqueles olhos baixos Que da alma são janelas, Focados em suas telas. Todos na mesma direção, Mas com caminhos diferentes. Levam em seus corações O que buscam dentro da mente. No final do trajeto Não me despeço, Só os perco de vista. Não os vejo seguir Para suas vidas, Que não são aqui. Não espero, no outro dia, Vê-los outra vez. Podem mudar o caminho, talvez. Mas, assim como eu, Estão todos aqui às seis. Todos de passagem, Mas com rotinas estáveis, Companheiros de viagem. Ocupam os mesmos lugares, Cumprindo o ritual conhecido, Rumo à imprevisibilidade. Claudia C Machado
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