Do mesmo jeito que
A gente abre a janela
Abrimos a porta
Na espera do retorno
Daquela pessoa amada.
Para que a vida tenha
Um pouco mais de sentido.
E é uma espera cheia de reencontros,
A chegada da primavera,
O filho nos braços da mãe,
A chuva depois de um dia de sol,
A tal resposta daquela carta.
Clarisse da Costa
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A saudade apertou
Veio à tona sentimentos guardados.
Na memória são como
Brinquedos de papel
Que se desmancham na água.
Porque algumas coisas são difíceis.
Às vezes parecem janelas emperradas.
Eu bem me lembro do rangido
Que a janela antiga fazia,
Era no tempo que a vida só existia
Longe de tantas tecnologias.
Clarisse da Costa
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É tão singular
Cada sorriso visto por aí.
Cada um conta uma história.
É tão particular
Tantas incertezas
E com certeza
O mundo gira em torno delas.
São frases soltas.
Vontade de ficar
Outras horas
Vontade de ir para algum lugar…
Nessas andanças
Tudo que precisamos
É de novos caminhos
E se encontrar.
Eu que mergulhei de cabeça
Num sentimento,
Quero mais é ir para longe
Desse universo.
Clarisse da Costa
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Talvez seja os sorrisos,
Os olhares…
O que me fez amar um dia.
São tantas coisas possíveis
Que nos fazem sentir.
A gente cresce, floresce
E desperta para o mundo,
Tudo começa por aí.
São muitos sentimentos
E alguns até sem sentido.
É o que nos aparece.
Como uma conexão
Entre dois seres,
Eu olhei para a lua por muitas vezes
Como se fosse o meu eterno amor
E eu nem sequer pude tocar.
Parece estranho,
Mas a gente sempre tem
Aquela expectativa de que tudo aconteça.
A vida tem seus estranhamentos mesmo!
Clarisse da Costa
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Muitos de nós vivem
Numa eterna busca,
Sair do vazio que a solidão deixa.
Sempre fica aquela sensação
De que falta algo.
Então nos parece que o amor
Está bem distante.
Seguimos com os nossos pensamentos
E no meio do caminho esquecemos
Do amor que habita em nós.
Não nascemos sem amor
Precisamos dele para seguirmos
Numa direção ampla
Entre a vida e o nosso eu.
Entre a nos amar e amar o próximo.
Mesmo que a vida tenha
Seus espinhos e o amor
As suas dores,
Precisamos sentir esse amor.
Precisamos verbalizar
A melhor forma de amar.
Clarisse da Costa
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Às vezes precisamos romper
Algumas coisas nessa vida,
Talvez fechar alguns ciclos
Que não nos fazem bem.
Andar em direção ao vento
E dançar como se não houvesse amanhã.
Encarar o espelho
Mesmo que o cabelo esteja despenteado
E dar gargalhadas de si.
É sempre bom começar com alegria.
Precisamos de novos começos
Para que tudo fique estável,
Mas a estabilidade é uma das coisas
Que não é perfeita nesta vida,
Mal sabemos ser estáveis.
Só espero que tenhamos
A capacidade de sermos luz
Para quebramos toda
E qualquer escuridão.
Clarisse da Costa
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Claro que sentir
Tira o fôlego,
Arrepia a pele,
Traz o frisson.
Sentir envolve sentimento
Traz o calor do momento.
Sentir é deixar-se livre.
Romper as barreiras,
Encontrar caminhos
Entre a sensualidade e os desejos.
O amor se expande entre os corpos.
Corre na alma a certeza de pertencer.
A sutileza do olhar se envolve
E deixa tudo acontecer.
Os olhos contam histórias.
Sentir é existir numa pulsão de vida.
Clarisse da Costa
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Meu canto tem dor e resistência.
É o canto sofrido pelo meu lugar
nesse mundo.
Que haja nesse país espaço para todos.
Cheguei aqui
nessas mal traçadas linhas
com o coração calejado e palavras vazias.
O sistema é tão cruel que
não vale mais apena chorar.
Tentam sugar nossas forças.
Às vezes me perco na imensidão
desse mundo
como peregrino sem rumo.
Eu que já fui criança e tive sonhos,
vejo sonhos serem engolidos.
Meu grito de liberdade
não resgata o 13 de maio,
resgata quem somos, o que queremos.
Nessa terra onde piso
não vejo essa tal de igualdade,
a bandeira deste país prega
uma falsa ideia de democracia.
A minha cor pesa no amor, na vida,
na cidadania...
É triste uma pessoa ser tratada
como um animal sem importância!
Triste ter que olhar para o futuro
e não ver expectativa alguma!
É triste o canto que canto,
sofrimento enraizado num país marcado
pelas suas injustiças e desigualdade.
Alguns de nós dormem em suas camas
E outros ficam no chão
Cravados de bala.
Clarisse Da Costa
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Nessa morada de sonhos
Está a mais fina flor
Despetalando no outono
Toda a sua dor.
Na última primavera
Ela floriu para o amor
E nesse jogo às vezes perde
Quem ama demais.
No seu espelho de memórias
Ela vê pétalas ao vento
Sucubindo o tempo
E o amanhecer.
Cai-se a chuva,
A flor perde o seu perfume,
Como de costume desfalece
Até que o dia amanhece.
Clarisse da Costa
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Talvez se eu não fosse
Tão entregue
Não estaria aqui desnuda
De uma forma natural e intensa.
A alma transparece
E joga os sentimentos ao vento
Como um jeito de voarem longe.
Meu corpo quer estar aí perto,
Mas a mente diz para se afastar.
Como flores que afloram
Em todas as estações
O corpo desperta na sua presença.
Quando estás ausente
Ele está ausente.
É como se não houvesse
Outra terra para florir.
As pétalas caem e sem
Nenhuma cobertura
A fina flor fica
Vulnerável ao seu prazer.
Você não me deixa morrer.
Clarisse da Costa
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