Sonho
Estou vivo, confesso Mas não tenho pelo que morrer Tal qual a irreal beleza num verso Ao qual a poesia não traz prazer Endago e me engasgo Em pequenas linhas que ditam o que vou ser Estrago e me desfaço Nas circunstâncias do querer Sei que só tenho o que sou Decido então não desejar Nessa estrada sei que vou E levarei o que comigo se passar Chego enfim a um solitário lugar Repouso enfim, Em raízes Que alimentam um lindo pomar E toda ideia de desejo me vem Mas vem devagarinho Não há pressa nem chama Apenas uma brisa e um ramo sozinho Ele toca em minha face Tão leve que sequer ameaço despertar E não importa o que se passe Eu jamais poderia notar
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