Estou vivo, confesso
Mas não tenho pelo que morrer
Tal qual a irreal beleza num verso
Ao qual a poesia não traz prazer
Endago e me engasgo
Em pequenas linhas que ditam o que vou ser
Estrago e me desfaço
Nas circunstâncias do querer
Sei que só tenho o que sou
Decido então não desejar
Nessa estrada sei que vou
E levarei o que comigo se passar
Chego enfim a um solitário lugar
Repouso enfim,
Em raízes
Que alimentam um lindo pomar
E toda ideia de desejo me vem
Mas vem devagarinho
Não há pressa nem chama
Apenas uma brisa e um ramo sozinho
Ele toca em minha face
Tão leve que sequer ameaço despertar
E não importa o que se passe
Eu jamais poderia notar
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Por que eu te amo?
Me perco ao tentar justificar.
Entretanto,
ao me conectar com seu olhar, fico atordoado, esqueço como respirar.
Sei que te quero
quando declarações saem do meu peito, sem eu me esforçar;
quando encontro palavras diversas, das mais belas, e delas posso te amar;
quando finalmente encontro um sentido, e consentido, me disponho a melhorar;
quando a única conclusão é que te conheci para te amar.
Por mais que eu queira, não há como responder.
Nesta vida corriqueira, não temos tempo para descobrir a verdadeira causa do querer.
Por fim, de qualquer maneira, por trás de toda essa trincheira, não tenho o que esconder.
Porque eu te amo.
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Feliz sou eu, desafiado e cortado, me fortaleci.
Infeliz fui eu, tentei desesperado e, em tom amargo, me destruí.
Nova cicatriz nasceu em um espírito desastrado, tão apaixonado e fora de si.
Meu caderno não fecha mais sem acabar,
minha caneta não se tampa antes de secar.
Certo de que minha caneta não sente,
expressei-me de forma indecente,
assim a tinta em mim se assemelhou.
Semelhante ao meu olhar, de tanto anotar,
ao te notar, secou.
Prometi tanto para ti, sem que soubesses.
Você não merece, a promessa falhou.
Quis te encher de cores, um mundo sem dores.
Não te enviei flores, e a primavera chegou.
Sou inteiro distante, um mero coadjuvante,
não me disseste antes, o tempo revelou.
Confesso que me lembro sem remorso,
imaginei algo nosso, um final de que tanto gosto.
Enfim, acabou.
Adiei as flores.
Você não reparou.
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Perdoe minha insensibilidade,
Por mais que ela não exista.
Peço que a chame de incerteza,
Para que eu não me sinta egoísta.
Afinal, já demonstrei tudo;
Antes era tempo em que eu dizia.
Após tanto tempo, eu mudo,
Acabando com sua alegria.
Nunca deixei de te amar,
Não me entenda mal.
No momento, eu não soube o que falar,
Nada poderia ser tão fatal.
Enfim, sonho que siga assim,
Estarei sempre nessa estrada sem fim.
Entre cidades vai me encontrar,
E em cada esquina estarei lá.
Eterno serei, somente para te amar.
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E quanto à solidão?
Não há cor, e, se havia, partiu sem a dor.
Agora, cortado, o coração calado, encurralado e ensanguentado,
chora um choro cansado,
cai e chia desamparado,
clama pelo último fardo,
não é contemplado e corrói-se acabado.
Não foi encontrado.
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O amor tem uma cor
Uma forte e profunda cor vermelha,
que se assemelha a uma centelha,
que se espalha na palha
e desencadeia a chama na tralha,
incendeia, se atrapalha,
na ribanceira, bem na beira,
e falha.
Faz uma lagoa inteira evaporar.
Mas ainda chove.
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Pensando no que deixou de ser
Perco o que já é.
Em mergulho sou coberto
Baixo é o som que me envolve,
Alto o entulho que na garganta dá um nó,
Infeliz o orgulho que me deixou só.
Somente um antes,
Destruído relembro a todo instante,
Toda essa saudade que foi adiante,
Ferindo, cortando e apagando nosso caos radiante.
De pedaços em pedaços há cura,
Mas há pontos, rasgos, estilhaços,
Restos de uma terrível costura.
De cantos em cantos há doçura,
Mas há gritos, farpas, fardos,
Sintomas da intangível loucura.
Me deixe ir,
Não me faça voltar,
Só antes me leve para assistir
Nosso mar.
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O frio me alegra,
Mas também traz dor.
Meu corpo, em defesa, se entrega,
Acendendo uma chama em favor.
Essa chama sozinha não traz calor,
Falta o combustível de um amor.