Carlos Natan @Carlos_Natan

Autoexilado

Eu Me Rejeitei Ao reconhecer o fardo de ser meu, Exilei-me daquele que outrora fui. Sob o despotismo cego do acaso, A liberdade se dissolve no ocaso, E o que julguei ser escolha se dilui. Negligente. Cindido. Retrógrado. A vida me constrange e me sentencia: ESCOLHA! bradam, sem me dar alternativa. Que liberdade há em negar a própria essência? Não existo sem negar minha existência. E se um dia o rejeitado regressar, Reivindicando o nome que lhe usurpei, Que rosto há de restar para enfrentá-lo? Sou o impostor que aprendeu a habitá-lo, A criatura que o exílio engendrou. Se o meu princípio reclamar o que é seu, Não haverá reconciliação, mas ruptura: O eu que sou perecerá na criatura Que um dia fui - e que jamais morreu.

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