Penso, logo, desisto.
O raciocínio é um mar que me afoga na areia; O excesso de marés me impede de zarpar. Fragmento emoções em corações de espelho, Doando a mim mesmo o que temo entregar, Até me tornar um estrangeiro no que é meu. Se analiso, paraliso. A dissecação da cor do cravo, O cálculo da lágrima, a métrica do luto. A vida assiste muda ao meu inquérito, Enquanto a mente e o eco brindam No salão fechado do meu próprio labirinto. Dizem que existir é o verbo solto, Mas tranquei o mundo do lado de fora do crânio. Se um dia eu entregar a outro ouvido Tudo o que grita no meu silêncio, Saberão que a minha razão, enfim, falhou. Pois enquanto calculo, estou seguro: O pensamento é a desculpa blindada Para quem não tem coragem de amar.
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