... De muitos lugares, doutora...
Vem de todos os lados.
Há uma memória específica que
me leva para um lago.
... Eu disse: Não sei como os anjos se parecem, mas não me surpreenderia se eles se parecessem com você...
De todas as coisas que eu poderia ter dito, foi tudo o que pude dizer.
Mas, ela fez escolhas que a levaram para o outro lado.
Eu permaneci naquela margem, acorrentado.
Eu, doutora?
Depois de todos esses anos,
continuo parado à margem.
Continuo a esperar.
Por que?
Bem...
É que não sei nadar.
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Ah, doutora...
Às vezes, eu só quero ficar parado.
... Só quero ficar parado...
Música tem sido uma tolerável companhia.
Filmes me irritam e pessoas
me entediam.
Ler, raramente me leva para além da página dois antes do adormecer.
Minha insônia agradece.
Então, converso comigo mesmo: pergunta, respostas, questões...
Conclusão?
Acho que estamos indo para o abismo
á passos largos... E não há lugar
pra onde voltar.
Eu, doutora?
Bem...
Às vezes, eu só quero ficar parado.
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Você ouve o relógio chamar
seu nome.
Você tem coisas a fazer, dívidas
que precisam ser pagas.
Você se pergunta: Sou livre?
Tão pouco tempo.
Não...
É a minha vida que tem muito
pouco tempo.
Tantos projetos. Tantos sonhos.
Tantas perdas.
Tudo pelo ego.
Ah, liberdade...
Esqueci seu rosto. Não lembro a
cor dos seus olhos.
Não lembro mais.
Sua voz já não nina meus sonhos.
Eu já não durmo.
Não mais.
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Mesmo ciente de onde o caminho termina, se rende sempre à mesma memória...
Lembra-se do balanço, da chuva
suave e do riso.
Como poderia ele esquecer?
É umas das últimas boas lembranças que lhe restaram.
Na verdade, a última.
Comparadas a esta, você pensa:
Todo o resto é descartável e cinza.
Sem substância... Efêmero.
É ela que a salva todas as manhãs.
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... O cheiro invade seu quarto.
Na verdade, ele é bem-vindo.
Um dos poucos últimos prazeres
que lhe restaram.
Você pensa agora: Aquela cafeteira programável foi realmente,
uma bela aquisição.
Como um ritual de todas as manhãs, em meio a névoa do semi-despertar, você procura a última vez em
que foi feliz.
Não é uma jornada em busca de amor, mas, de si mesmo.
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... Amanhecer...
Insônia.
Que a luz não caia sobre mim enquanto caminho na escuridão, desejando
não ser visto.
Eu sempre voo alto quando fecho os olhos. Mas às duas da manhã, ainda desperto, o sono me parece uma criatura alienígena.
Você acorda.
Dormiu?
Noite difícil.
Uma entre tantas outras.
... Insônia...
Amanhecer.
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Eu era de Humanas e você de Exatas.
Estávamos discutindo os segredos do universo sob perspectivas antagonicas sem saber que existia alguma confluência.
Nós nunca a encontramos.
Poderíamos ter construído algo.
Mas teríamos que ser (ter sido)
muito diferentes.
Acho que amávamos demais a nós mesmos para aceitar qualquer vírgula que encotrasemos fora do lugar.
E nós encontramos muitas.
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Você me ama? ela perguntou.
Não é como se eu estivesse tentando fazer asas para te alcançar, respondi.
Deus sabe que eu despencaria para a morte, se tentasse.
Ela levantou, apagou o cigarro, e não tocamos mais no assunto.
Não foi uma decisão estabelida.
Algumas coisas nos escolhem em nossas vidas.
Fomos enquanto fomos permitidos.
Tentamos conter o que não pode
ser contido.
Como gotas d'água, estávamos suspensos e então, nos encontramos.
Nos unimos a outras gotas e nos precipitamos.
Um esbarrão em outras gotas, uma leve brisa norte e nunca mais nos vemos.
Basta as asas de um pássaro para saber que nos perdemos.
Fomos o que poderíamos ter sido, enquanto o destino nos julgou
ser permitidos.
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Eu não sei porque, ela disse.
Estar com você é como acidentalmente derramar, tinta óleo sobre tela.
Não é por suas virtudes que o amo,
é apesar delas.