Foto de José Carlos de Souza

José Carlos de Souza

@Carlos101 · desde 2024

192 poemas 47 seguidores 55 seguindo

Seguir
Poesia

Segunda Sessão

... De muitos lugares, doutora... Vem de todos os lados. Há uma memória específica que me leva para um lago. ... Eu disse: Não sei como os anjos se parecem, mas não me surpreenderia se eles se parecessem com você... De todas as coisas que eu poderia ter dito, foi tudo o que pude dizer. Mas, ela fez escolhas que a levaram para o outro lado. Eu permaneci naquela margem, acorrentado. Eu, doutora? Depois de todos esses anos, continuo parado à margem. Continuo a esperar. Por que? Bem... É que não sei nadar.

Continuar lendo
Poesia

Primeira Sessão

Ah, doutora... Às vezes, eu só quero ficar parado. ... Só quero ficar parado... Música tem sido uma tolerável companhia. Filmes me irritam e pessoas me entediam. Ler, raramente me leva para além da página dois antes do adormecer. Minha insônia agradece. Então, converso comigo mesmo: pergunta, respostas, questões... Conclusão? Acho que estamos indo para o abismo á passos largos... E não há lugar pra onde voltar. Eu, doutora? Bem... Às vezes, eu só quero ficar parado.

Continuar lendo
Poesia

Ainda semi-desperto...

Você ouve o relógio chamar seu nome. Você tem coisas a fazer, dívidas que precisam ser pagas. Você se pergunta: Sou livre? Tão pouco tempo. Não... É a minha vida que tem muito pouco tempo. Tantos projetos. Tantos sonhos. Tantas perdas. Tudo pelo ego. Ah, liberdade... Esqueci seu rosto. Não lembro a cor dos seus olhos. Não lembro mais. Sua voz já não nina meus sonhos. Eu já não durmo. Não mais.

Continuar lendo
Poesia

Um instante depois...

Mesmo ciente de onde o caminho termina, se rende sempre à mesma memória... Lembra-se do balanço, da chuva suave e do riso. Como poderia ele esquecer? É umas das últimas boas lembranças que lhe restaram. Na verdade, a última. Comparadas a esta, você pensa: Todo o resto é descartável e cinza. Sem substância... Efêmero. É ela que a salva todas as manhãs.

Continuar lendo
Poesia

Café Fresco.

... O cheiro invade seu quarto. Na verdade, ele é bem-vindo. Um dos poucos últimos prazeres que lhe restaram. Você pensa agora: Aquela cafeteira programável foi realmente, uma bela aquisição. Como um ritual de todas as manhãs, em meio a névoa do semi-despertar, você procura a última vez em que foi feliz. Não é uma jornada em busca de amor, mas, de si mesmo.

Continuar lendo
Poesia

Sobre a noite passada...

... Amanhecer... Insônia. Que a luz não caia sobre mim enquanto caminho na escuridão, desejando não ser visto. Eu sempre voo alto quando fecho os olhos. Mas às duas da manhã, ainda desperto, o sono me parece uma criatura alienígena. Você acorda. Dormiu? Noite difícil. Uma entre tantas outras. ... Insônia... Amanhecer.

Continuar lendo
Poema

Isto não é sobre gramática...

Eu era de Humanas e você de Exatas. Estávamos discutindo os segredos do universo sob perspectivas antagonicas sem saber que existia alguma confluência. Nós nunca a encontramos. Poderíamos ter construído algo. Mas teríamos que ser (ter sido) muito diferentes. Acho que amávamos demais a nós mesmos para aceitar qualquer vírgula que encotrasemos fora do lugar. E nós encontramos muitas.

Continuar lendo
Poema

Estranhos Amores

Você me ama? ela perguntou. Não é como se eu estivesse tentando fazer asas para te alcançar, respondi. Deus sabe que eu despencaria para a morte, se tentasse. Ela levantou, apagou o cigarro, e não tocamos mais no assunto.

Poesia

O destino de uma gota

Não foi uma decisão estabelida. Algumas coisas nos escolhem em nossas vidas. Fomos enquanto fomos permitidos. Tentamos conter o que não pode ser contido. Como gotas d'água, estávamos suspensos e então, nos encontramos. Nos unimos a outras gotas e nos precipitamos. Um esbarrão em outras gotas, uma leve brisa norte e nunca mais nos vemos. Basta as asas de um pássaro para saber que nos perdemos. Fomos o que poderíamos ter sido, enquanto o destino nos julgou ser permitidos.

Continuar lendo
Poesia

O que você vê

Eu não sei porque, ela disse. Estar com você é como acidentalmente derramar, tinta óleo sobre tela. Não é por suas virtudes que o amo, é apesar delas.