Eu não sei amar pela metade.
Ou eu fico
ou eu sangro.
Tem dias em que o silêncio pesa mais
que qualquer briga,
e eu entendo, tarde demais,
que conter sentimento
é só uma forma elegante
de adoecer...
Então eu faço o que sei:
abro o peito sem pedir licença,
digo o que não é bonito,
o que não é seguro,
o que não foi feito p/ durar.
Jogar o coração p/ fora
é um ato meio sujo,
meio desesperado,
mas, honesto.
É admitir que eu sinto
antes de saber se devo.
É escolher o risco
em vez da pose,
a ferida em vez da anestesia.
Porque no fim,
o que me destrói não é o excesso;
- é tudo aquilo que eu não tive coragem
de viver.
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Deixa p/ lá.
“agora não dá”
é só outra forma de dizer
que o medo venceu (de novo).
eu te quero agora,
antes que a coragem acabe,
antes que o dia amanheça
e a gente finja maturidade.
Não vou te esperar;
eperar sempre foi um vício dos fracos
e eu? Bom, já tenho vícios demais.
esse papo de "um tempo"
nunca funcionou p/ nós.
O tempo só ensina a beber sozinho
e a chamar ausência de liberdade.
quando puder, manda sinal.
qualquer coisa,
uma mensagem torta,
uma foto sem sentido,
ou diz sei lá, que está nos braços de outro.
- Não dói mais do que imaginar.
Quero te ver rodando o mundo,
caçando sentido em rostos errados,
até entender,
- talvez bêbada
que o buraco em seu peito,
tem o meu tamanho.
então deixa pra lá.
ou fica.
mas, não me peça calma,
não me peça tempo.
eu sou agora
ou não sou nada.
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Hemilly é dessas pessoas
que não se explicam.
E talvez por isso
sejam tão necessárias
(por mais mulheres como ela).
Há nela uma presença
que não invade,
mas permanece (no meu coração),
Como se soubesse exatamente
onde ficar dentro da gente.
Nossa amizade
não faz barulho.
Ela acontece no detalhe,
no cuidado que não pede retorno,
na escuta que não interrompe,
na nossa sincronia de almas.
Hemilly é uma mulher incrível,
porque carrega força
sem endurecer.
Porque entende
que sensibilidade
não é fraqueza,
é forma de coragem, amo isso nela.
Estar perto dela
é sentir que o mundo
pode ser menos áspero.
Não porque muda,
mas porque com ela, se torna possível.
Te amar é saber que existe alguém
que inspira sem impor,
que cuida sem prender,
que caminha ao lado
sem empurrar.
- te agradeço por se importar com nossa conexão.
Hemilly é esse tipo raro de gente
que não tenta ocupar tudo,
mas quando não está,
faz falta (p/ caralho).
São pessoas assim
que se tornam tão definitivas,
em minha vida.
te amo, pô.
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Andreia, ah, essa entrou na minha vida
como entram as coisas que não pedem explicação.
Entrou ficando.
É curioso como o tempo, às vezes,
não mede nada.
Pouco tempo vivido
e, ainda assim,
uma sensação antiga,
como se a alma dissesse baixinho:
ah, é você, que saudade.
Nossa amizade não se anuncia,
ela acontece.
Não exige,
não confunde,
não atravessa limites
- apenas repousa.
Cristina é dessas presenças
que não ocupam espaço,
mas preenchem (o meu coração).
Estar perto dela
é como não precisar se justificar.
É um alívio discreto.
Há pessoas que chegam
p/ despertar paixões.
Ddeia chegou sem prometer nada,
e olha, ela é tudo!
Penso nela
e sorrio sem motivo.
Porque amizade verdadeira
é esse sentimento sem urgência,
sem medo,
sem excesso.
Se eu tivesse que traduzi-la,
em algo simples:
— porque às vezes, o simples diz mais;
— diria que ela seria um dia claro, depois de muita chuva.
Ela é muito especial p/ mim,
do jeito que não se explica.
E talvez seja isso
que torna algumas amizades
tão necessárias:
elas não pedem nada,
apenas são.
te amo, pô.
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Escrevo-te como quem caminha por ruas que não pertencem a ninguém, sob uma lua pálida que parece ter esquecido de iluminar.
Há em mim uma inquietação que não se explica por palavras simples; é antes um nó que aperta o peito e me faz ver tudo com a nitidez turva de quem acorda de um sonho e não sabe se ainda sonha.
Lembro-me de ti como se fosses uma cidade inteira vista pela fresta de uma janela:
- distante, inteira em si mesma, e ao mesmo tempo, feita de detalhes que me perseguem (até hoje).
Durante as noites, essas noites que alongam o tempo, até torná-lo quase suportável, eu invento conversas contigo em cartas que nunca enviei, como um poeta que se consola com a própria poesia.
Falo-te de coisas banais e de coisas que me assustam; confesso medos que nem sei se são meus ou herdados das ruas.
Não peço o retorno do que tivemos e nem te ofereço promessas.
O que me move é outra coisa: a necessidade de nomear a tua ausência, para que eu possa, ao menos, reconhecê-la quando passar por mim na rua.
Às vezes, penso que foste apenas um reflexo numa vitrine, um lampejo que me enganou com a ilusão de companhia; outras vezes, com a mesma intensidade, sinto que foste a única verdade que me aconteceu, como se tivéssemos sido, os únicos presenteados com um amor sincero, em outra vida.
Ambas as ideias me visitam como velhos conhecidos, e eu as recebo sem cerimônia.
Sei que há em mim uma propensão para o exagero, para transformar um sopro em tempestade; talvez seja essa a minha miséria e a minha graça, talvez, tudo isso tenha me levado a escrever essas cartas.
Eu não consigo calar o que sinto: há uma fome de presença que se alimenta de lembranças e de pequenas provas:
— o seu olhar, o perfume, o som do seu riso que insiste em voltar.
E quando a madrugada se estende, eu fico à janela, olhando as luzes que tremem como se também, elas tivessem saudade.
Esta carta não é um pedido.
Quero apenas que saiba que, numa noite qualquer, alguém te nomeou com a reverência de quem conheceu o seu "eu" mais íntimo e se apaixonou.
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.
Por que tu acreditas que eu não acredito,
se já estou aqui, de corpo e alma?
A pressa, essa entrou na minha casa como se fosse verdade e ficou morando no meu peito.
"Diga que eu me apressei e essa pressa pressionou."
E eu claro, eu me apressei como quem toca uma parede, esperando encontrar uma porta;
Encontrei apenas um espelho, que devolveu a tua alma;
— e a minha, fiquei até surpreso, estavam vazias.
Acabou.
Acabou-se o modo de nomear esse desejo;
acabou-se o nosso tempo;
As coisas ficaram com a sombra de si mesmas, restou apenas o silêncio que não sabemos falar em viva-voz.
E eu sei, com a precisão de um beijo que não aconteceu, que os nossos sonhos mudaram de endereço.
Diga: - serve fingir que tudo está bem?
Me ensina, se eu não aprendi;
Disolve, se eu não servir.
Me sinta, seu eu não te sentir;
Me cospe, se eu te engolir.
Eu queria ser seu amigo p/ sempre, mas a minha voz tem instinto de partir, quando toca a tua.
Acredito que existem saudades que só fazem "sentido" quando ditas em dois.
(Olha que até o meu alter ego alcoólatra, escritor e aquele cara do cannabis, mencionaram você."
Será que chegará um dia em que você me peça p/ que não te esqueça, e que eu aceite, de uma forma simples assim??
Me acostumo aos gestos,
a observar as estrelas sozinho,
a te escrever cartas que nunca enviarei,
mas, não ao teu sumiço,
me acostumo, mas não esqueço.
Eu aguentei tanto, que acredito que foi um exercício de paciência, uma religião que eu não pratico mais.
Hoje, morri por dentro;
E eu não faço barulho ao morrer por dentro, aprendo a recolher as minhas coisas com cuidado.
Fico com o resto que sobra:
- o seu cheiro, um pedaço de papel, um isqueiro, maldito esse que não acende.
Espero que um dia, os dias voltem a ter cor, já me cansei do cinza opaco.
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Querida H,
Te ouvir de novo, me fez descobrir que você foi o tempo todo, o espelho do meu próprio vazio.
Não sei dizer se é sua voz ou o medo que eu mesmo criei, mas cada sílaba tua, rasga em mim um silêncio mais profundo do que eu imaginava existir.
Me pergunto:
- onde começa a culpa e termina a mim?
Porque existe penas um eco de mim mesmo voltando p/ me acusar.
Não suporto o peso de lembrar do que fomos, do que tentamos ser.
Mas, esqueço que o esquecimento é outra forma de violência.
É curioso como posso ter medo do nosso reencontro e, ao mesmo tempo, desejar que tu apareça, assim do nada, p/ que nosso "abismo" ganhe contorno, deixe de ser esse medo vago e passe a ser algo que eu, enfim, possa tocar.
Na verdade, não sei nem se escrevo esta carta p/ você ou p/ mim.
Talvez a gente precise saber se resta coragem suficiente, p/ demolir esse muro de dúvidas ou se continuaremos desse jeito, a viver de presságios...
Me reviro na noite, procurando palavras que não ferem, mas encontro apenas fragmentos de um desejo que cara, me assusta!
Acredito que resta saber se, ao fechar essa carta, sobrará algo que mereça nome.
Se escrever e não enviar ainda é possível salvar o silêncio, ou se o silêncio foi ele próprio, o último gesto de covardia (o meu).
Com o resto de mim, aquele que ouviu a tua voz.
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Sinto essa violência que você é.
Para ele, o tempo se espalha como um tapete.
Para ele, o seu sorriso cai leve, perfeito, como um fruto.
E p/ mim?
Bom, migalhas que até mesmo o vento ignora.
Recolho-as.
Recolo-as.
Continuo com as mãos vazias.
Espero que vás.
Espero que fiques.
Espero que me esqueças.
Talvez,
um dia percebas o tamanho dessa conta de silenciosos pagamentos, que fiz por ti.
Talvez,
tu abras a porta e vejas o vazio que deixaste.
Quando o sol se pôr,
não me traces com teus olhos.
Olhar é responsabilizar-se e eu não quero essa dívida...
Não quero o teu corpo;
- repito como quem ensaia a verdade.
Nunca o quis.
Queria que a tua voz me chamasse de "casa".
Algo simples assim,
como se fosse possível ainda alterar o mundo:
Diga que ainda me queres aqui, contigo.
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Existe entre nós um abismo;
Um abismo que eu mesmo cavei.
Cavei-o com medo, com recuo, com a covardia que me veste.
Quando me aproximo, ele me sorri de costas.
Vejo lá dentro uma escuridão que fala;
ecoam palavras que não sei dizer de "viva voz".
Você é a causa da minha alegria e ao mesmo tempo, sou eu a causa do meu silêncio.
A tua indiferença, passa como um trem no meu corpo.
Não percebe que eu te faço morada;
Não percebe que te amo com todo o meu ser.
Há um instante ou uma ferida, em que me pergunto:
- será certo, amar assim?
Na dúvida, enterro o amor onde sempre enterrei as coisas que me aterrorizam:
- no abismo que se chama eu.
E ali, no fundo, aprendo a ser só.
Aprendo a amar em segredo, como quem aprende a respirar no escuro sem fazer barulho.
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Você poderia, por favor,
ligar quando nosso tempo está chegando ao fim?
Ligue:
- Não p/ consertar nada, apenas p/ que algo de fato, exista.
Ligue,
Como se riscasse a parede do nosso mundo
com um fósforo,
Como quem mostra que ainda existe calor,
mesmo que seja mínimo.
Eu atenderei,
talvez, com os olhos fechados;
Sabendo que o seu toque,
é o único espelho onde me reconheço por instantes.
Ligue e deixe que o som da sua respiração,
me devolva o lugar onde eu não sabia morar...
Não diga explicações, diga apenas que estou aqui;
- não peça licença p/ entrar no meu devastado coração.
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