Claudinei Soares @CLAUDINEISOARES

NUIT

Noite estreita Estilete rebelde Roça a íris Luzente das ruas Que resistem De tochas em punho E impropérios Ordeiros e silenciosos Noite esquiva Fria e calculista Deixa os filhos Natimortos cabisbaixos São poetas Não são gente, menina Ninguém lhes dá atenção Noite estranha Desperta e esquiva Violenta Sem dar um só tiro Encobre a guerra E afaga infelizes Noite que sorri... Noite que sorri... Eu voei Sobre as cinzas de Gaza Luciférico Minhas asas em brasa Fui o teto De todos os céus E te imploro que pise em mim. Noite que sorri... Flores negras Versos dos homens Sonetos dos anjos Liras dos deuses Noite nossa Em que uivamos calados Rastejando Na alma sonhos alados Noite minha Deixa-me vê-la uma vez Deixa-me chorar Sem pranto Esta mesma insensatez eterna De existir por enquanto

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