Atemporal?
Há tempos não via o mundo Sua marcha lenta não vi Não vi suas guerras e pestes Não lamentei nem sorri Não notei danças e modas Os costumes ou as leis As descobertas maçantes E os pedantes Novos reis A busca de liberdade Que é mera vazão do ego Gente tateia no escuro E entrega a guia à algum cego O sexo a ira, as drogas Os modos mais permissivos A fome fazendo mortos Ganharem a inveja dos vivos A indústria devorando Entre fumaça e tremores A vida triste e ignóbil Dos sujos trabalhadores Milhões de pobres aplaudem Seu ídolo perdulario A escravidão chancelada À cada treze salários... Há tempos não via o mundo Não via o seu esplendor Não via as faces vazias Tranquilas frente ao terror Não via a ignorância E seu reinado de prazer O que ódio e intolerância São capazes de fazer E a fé ser como sempre O rifle dos assaltos Tirando o pão de crianças Dilapidando incautos Fé que norteia mil povos Tira-lhes tudo da vida Os transformando em ratos Num duelo fratricida E as mansões suntuosas E nos templos leite e mel E as torres das cidades Dedos cobiçando o céu. Há tempos não via o mundo Vir emergindo da bruma Repleto das novidades Que não mudam coisa alguma.
Paola Heiderich
👏👏👏👏 fantástico