12/2014
Um pêssego maduro Na fruteira Um céu de chumbo e ferro Raio e trovão A vela que ilumina A sala inteira Esconjurando em chamas A escuridão Os muros do abismo Já castigados Por águas que anseiam Por subir Fartaram-se nos nossos Antepassados E engendram cataclismas No porvir Madura feito fruta É a menina Que encanta e fascina Para ferir Que ama e desama Desanima E o pranto de um amante A faz sorrir E o verso trespassado De um poeta Numa sala secreta Nada é O ritmo bate os pregos E sua meta Crucificar os restos Da sua fé... Um anjo renegado Salmodia Vai avançando o dia? Talvez não Sob o granizo e vento Que assobia Eterna se anuncia A escuridão? E entre os prédios limpos Tediosos Não nadam majestosos Leviatãs? Não urram sáureos mortos Belicosos Nas nuvens tormentosas Da manhã? A menina se arruma Se envaidece O anjo recrudesce O vão louvor O pêssego aos poucos Apodrece A vela esmorece Vence o terror O coração e a pluma Na balança Mais uma esperança Para ruir O sonho embora grande Embora eterno Só serve para o inferno ... se servir.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.