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Ponto Brune

@Brune · desde 2019

A única coisa que precisa saber, é que eu sinto muito. Insta: @bruneph Recanto das Letras: Ponto Brune

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Poema

Reciclável

Tive de me conter Tenho Por cansaço, por descaso "Você é muito intensa." "Não sabia que era tão sensível assim." "Você gosta de falar." "Acho que você é complexa pra mim." Cada pedaço rasgando- se, amargurando a folha agora amena. Pequena Resta só um ser humano Sua alma está fechada no quarto Descalço Pensando demais em tudo que se foi Se esvai "Não consigo acompanhar seus pensamentos" Lamento! A percepção se torna clara! A solitude se torna água Água da qual me hidrato a cada 10 minutos de um copo. Água que umedece o papel picado fazendo ele se tornar adaptável. Para uma nova história. Um novo rasgo. B.

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Arte

Prole das abelhas

Pensei em escrever poesia Mas em mim mais nada surgia No canto da nova casa eu observei Melancolia Minha velha amiga Intrínseco ela sentia Me fazia ser Sempre fez Na poesia que existia eu exsitei Surpreendendo- me Suspirei Enaltecer e entardecer o sentido Mel, colo, ler A doce dor do conforto de ser Melancólicas letras dêem rumo Dêem conforto nas lágrimas do meu ser Prole das abelhas, derrama-me Embriaguez do abraço Um laço que nunca senti Uma falta, um vazio de colméia Letras, entre linhas vós me vê Crer? Não falamos mais a mesma língua De poesia a enxame Cada octógono me compõe. B.

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Morte

O delírio é feminino.

Na ala dos delírios Só gente do feminino O abandono é cruel Gerou a vida... Na maca com véu Delírios sobre filhos Os quais lá não estão Delírios famintos Matas, rostos... Solidão O feminino sozinho A ala silencia A dor não Vozes não ditas Palavras não ouvidas Visões escurecidas De outrora cuidados, tempos gastos De agora o acento vazio Na espera de alta A alta do delírio sozinho O delírio feminino. B.

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Poesia

Quando a ficha caiu.

Percebi que fiquei órfão A vida mudou Pra eu morar eu pago Pra eu comer eu cozinho Pra eu viver eu sobrevivo Fiquei órfão de algo que quase nem tive Órfão de avós Mesmo alguns existindo Suas dores são grandes agora Querem paz Fiquei órfão de pais Pois eu quem preciso cuidar Não há quem me cuide mais Órfão de quem me via Minha tia Órfão de um abrigo familiar Não pra lá e pra cá Órfão de um abraço em dias de chuva A conchinha se fechou em outro mar A vida mudou Me agachei para pegar a ficha E nessa mudança todo adulto fica órfão do que pensávamos ser a vida quando criança. Agora me levanto e faço essa ligação. B.

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Efêmero

Lamentações

As vezes eu sumo de mim, então tento escrever pra me chamar de volta. Alguns dias demoro a vir Mas quando volto quero somente dormir As vezes tomo banhos longos Como se eles levassem tudo que carrego As vezes não consigo comer nada sólido mas sinto uma sede absurda de tentar As vezes eu sumo de mim, mas com a intenção de não mais voltar. B.

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Silêncio

O que importa

O mundo vai acabar E eu ainda não provei lamen Nem fiz uma viagem sozinha Ou fiz aulas de cerâmica Não nadei nua Nem adotei outro gato O mundo está acabando E eu ainda não comecei meu livro Não fui no aquário desenhar peixes Nem pulei de paraquedas Não pintei o cabelo de roxo Ou caminhei mais de 12km O mundo acabou E eu já inventei uma receita muito saborosa Já consegui dizer mais nãos do que esperava Já dei gargalhadas sinceras Já chorei olhando a lua E refleti a vida assistindo ao pôr do sol Já observei pássaros E abracei um estranho na rua E assim posso finalizar, sabendo que fiz o que importava fazer. B.

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Drama

Não será qualquer bar

Você não vai me encontrar em qualquer lugar Nem com qualquer pessoa Não vai me achar tomando qualquer coisa Nem conversando qualquer assunto Você não vai me encontrar em qualquer bar Nem com qualquer companhia Eu só existo e ali estou Mas não em qualquer coisa ou situação O qualquer degrada meu ser O qualquer não me cabe Não me vê Qualquer que seja a cena Eu não me faço presente B.

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Poesia

Não quero que me conheça

Cheguei onde estou, mas não quero que saiba, não contei feitos, nem quero contar, meus nomes e números não importam, minha história fica em silêncio, não quero ser vista, nem lembrada. Eu quero sossego. As relações, líquidas e rasas, nas redes que tecem ilusões, ninguém é mais inteiro, tudo é metade. E eu, que sou demais, não posso caber nesse espaço. Conhecer? Não conhecemos mais, apenas passamos, tocamos de leve, e nos esquecemos. Não sou a atenção que procuram, nem quero ser. Mas num olhar, numa conversa que cruze o tempo, aí sim, eu quero estar. Sem paciência para pixels, sem paciência para vazios, quero carne, quero voz. E mesmo que demore, vou continuar a procurar aquele ser, aquela essência, aquela alma que também busca. Mas até lá, não, não me conheça. B.

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Arte

Assinado: O Poeta!

O coração de um poeta é sua caneta De tinta infinita Mas de cores limitadas Às vezes vermelhas, roxas ou até laranjas Outras, cinzas, pretas ou desbotadas Quem quebra o coração de um poeta, leva o caco cravado em si em tudo que ele escrever Em tudo que se lê Em cada letra um corte a mais Em cada cor, uma gota que ecoa Infinitamente pingando O poeta enlouquece quem o quebra Ele some Mas suas dores flutuam entre o ar Cada letra, acento... Calar O coração de um poeta é sua obra e sua ruína B.

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Drama

Poesia finita

E nela se pôs um ponto Um lamento Um adendo Com choro Ardendo Numa noite como todas Melancólica Remendo Remoendo O termo era objetivo O adeus... Reprimido Se fez presente, insistente E demasiadamente O fim B.

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