Tive de me conter
Tenho
Por cansaço, por descaso
"Você é muito intensa."
"Não sabia que era tão sensível assim."
"Você gosta de falar."
"Acho que você é complexa pra mim."
Cada pedaço rasgando- se, amargurando a folha agora amena.
Pequena
Resta só um ser humano
Sua alma está fechada no quarto
Descalço
Pensando demais em tudo que se foi
Se esvai
"Não consigo acompanhar seus pensamentos"
Lamento!
A percepção se torna clara!
A solitude se torna água
Água da qual me hidrato a cada 10 minutos de um copo.
Água que umedece o papel picado fazendo ele se tornar adaptável.
Para uma nova história.
Um novo rasgo.
B.
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Pensei em escrever poesia
Mas em mim mais nada surgia
No canto da nova casa eu observei
Melancolia
Minha velha amiga
Intrínseco ela sentia
Me fazia ser
Sempre fez
Na poesia que existia eu exsitei
Surpreendendo- me
Suspirei
Enaltecer e entardecer o sentido
Mel, colo, ler
A doce dor do conforto de ser
Melancólicas letras dêem rumo
Dêem conforto nas lágrimas do meu ser
Prole das abelhas, derrama-me
Embriaguez do abraço
Um laço que nunca senti
Uma falta, um vazio de colméia
Letras, entre linhas vós me vê
Crer?
Não falamos mais a mesma língua
De poesia a enxame
Cada octógono me compõe.
B.
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Na ala dos delírios
Só gente do feminino
O abandono é cruel
Gerou a vida... Na maca com véu
Delírios sobre filhos
Os quais lá não estão
Delírios famintos
Matas, rostos... Solidão
O feminino sozinho
A ala silencia
A dor não
Vozes não ditas
Palavras não ouvidas
Visões escurecidas
De outrora cuidados, tempos gastos
De agora o acento vazio
Na espera de alta
A alta do delírio sozinho
O delírio feminino.
B.
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Percebi que fiquei órfão
A vida mudou
Pra eu morar eu pago
Pra eu comer eu cozinho
Pra eu viver eu sobrevivo
Fiquei órfão de algo que quase nem tive
Órfão de avós
Mesmo alguns existindo
Suas dores são grandes agora
Querem paz
Fiquei órfão de pais
Pois eu quem preciso cuidar
Não há quem me cuide mais
Órfão de quem me via
Minha tia
Órfão de um abrigo familiar
Não pra lá e pra cá
Órfão de um abraço em dias de chuva
A conchinha se fechou em outro mar
A vida mudou
Me agachei para pegar a ficha
E nessa mudança todo adulto fica órfão do que pensávamos ser a vida quando criança.
Agora me levanto e faço essa ligação.
B.
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As vezes eu sumo de mim, então tento escrever pra me chamar de volta.
Alguns dias demoro a vir
Mas quando volto quero somente dormir
As vezes tomo banhos longos
Como se eles levassem tudo que carrego
As vezes não consigo comer nada sólido mas sinto uma sede absurda de tentar
As vezes eu sumo de mim, mas com a intenção de não mais voltar.
B.
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O mundo vai acabar
E eu ainda não provei lamen
Nem fiz uma viagem sozinha
Ou fiz aulas de cerâmica
Não nadei nua
Nem adotei outro gato
O mundo está acabando
E eu ainda não comecei meu livro
Não fui no aquário desenhar peixes
Nem pulei de paraquedas
Não pintei o cabelo de roxo
Ou caminhei mais de 12km
O mundo acabou
E eu já inventei uma receita muito saborosa
Já consegui dizer mais nãos do que esperava
Já dei gargalhadas sinceras
Já chorei olhando a lua
E refleti a vida assistindo ao pôr do sol
Já observei pássaros
E abracei um estranho na rua
E assim posso finalizar, sabendo que fiz o que importava fazer.
B.
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Você não vai me encontrar em qualquer lugar
Nem com qualquer pessoa
Não vai me achar tomando qualquer coisa
Nem conversando qualquer assunto
Você não vai me encontrar em qualquer bar
Nem com qualquer companhia
Eu só existo e ali estou
Mas não em qualquer coisa ou situação
O qualquer degrada meu ser
O qualquer não me cabe
Não me vê
Qualquer que seja a cena
Eu não me faço presente
B.
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Cheguei onde estou,
mas não quero que saiba,
não contei feitos,
nem quero contar,
meus nomes e números não importam,
minha história fica em silêncio,
não quero ser vista,
nem lembrada.
Eu quero sossego.
As relações, líquidas e rasas,
nas redes que tecem ilusões,
ninguém é mais inteiro,
tudo é metade.
E eu, que sou demais,
não posso caber nesse espaço.
Conhecer? Não conhecemos mais,
apenas passamos,
tocamos de leve,
e nos esquecemos.
Não sou a atenção que procuram,
nem quero ser.
Mas num olhar,
numa conversa que cruze o tempo,
aí sim, eu quero estar.
Sem paciência para pixels,
sem paciência para vazios,
quero carne,
quero voz.
E mesmo que demore,
vou continuar a procurar
aquele ser,
aquela essência,
aquela alma que também busca.
Mas até lá,
não, não me conheça.
B.
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O coração de um poeta é sua caneta
De tinta infinita
Mas de cores limitadas
Às vezes vermelhas, roxas ou até laranjas
Outras, cinzas, pretas ou desbotadas
Quem quebra o coração de um poeta, leva o caco cravado em si em tudo que ele escrever
Em tudo que se lê
Em cada letra um corte a mais
Em cada cor, uma gota que ecoa
Infinitamente pingando
O poeta enlouquece quem o quebra
Ele some
Mas suas dores flutuam entre o ar
Cada letra, acento... Calar
O coração de um poeta é sua obra e sua ruína
B.
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E nela se pôs um ponto
Um lamento
Um adendo
Com choro
Ardendo
Numa noite como todas
Melancólica
Remendo
Remoendo
O termo era objetivo
O adeus... Reprimido
Se fez presente, insistente
E demasiadamente
O fim
B.
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