Brazinho Ferreira @Brazinho_Ferreira
Religião

SOU BARTIMEU (MARCOS 10,46-52)

Sou Bartimeu, a poeira me vestia a sarjeta era o meu chão, a dor me revestia. O mundo me enxergava mas não queria me ver, cego e esquecido, sem nome, sem ser. Eu era a sombra que passava e ninguém reconhecia, Era o fardo, o impuro, a lepra que crescia Diziam que eu pecava, que a treva eu merecia mas não sabem das lágrimas que em silêncio oferecia Até que um dia, no pó do caminho, senti um murmúrio, um Santo Vizinho. Diziam seu nome – Jesus de Nazaré! E meu peito gritou sem temer e com fé "Jesus, Filho de Davi, tende de mim compaixão!" Mas vozes se ergueram: "Cale-se, cão!" Tentaram calar-me, mas bem alto eu clamei, com toda a minh’alma, seu nome invoquei! Então Ele veio – seus passos ouvi – e a doce pergunta rasgou-me o existir: "O que queres que Eu te faça, Bartimeu?" E em pranto eu clamei: "Que eu veja, meu Deus!" E a Luz me tomou em abraço ardente, rompeu-se a treva, vi tudo, vi gente! Mas oh! Maior do que o mundo, maior do que o céu, era a luz que brilhava no olhar d'Aquele que é fiel. Sim, vi o dia, as cores, o chão, mas nada brilhou como a redenção. Pois a luz mais pura, que em mim resplandece, não é a do sol, mas a Graça que me aquece. Sou Bartimeu, e hoje eu enxergo, mas não pelo mundo, e sim pelo Verbo. Pois cego nas trevas eu sempre vivi, até que a Luz verdadeira passou por aqui.

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