Culpa
É estranho como tudo gira em torno do sexo, a cerveja que é mostrada no comercial, à uma moça qualquer andando na rua. Admito me sentir sexualizada, sinto que o meu corpo é um atrativo para os monstros que estão à cada esquina da cidade, a minha voz doce que soa como uma canção sexual para eles. E ver que o afeto que procuro no amor só terei depois de me entregar despida em uma cama, e sentir que estou pisando em ovos com medo do assédio que não tenho culpa, mas me sinto culpada, por eles verem em mim a adulta com rosto infantilizado e aos poucos isso ir se tornando um fetiche por ser assim. Os monstros estão nas ruas, nos bairros, nas periferias e em meus sonhos, fujo deles andando, correndo, me cubrindo de panos e abrindo os olhos depois de um pesadelo.
R E J O
se desculpa tirasse culpa
Barbara Silva de Oliveira Pereira
Se eles se desculpassem, mas nem isso.