Sento na cadeira perto da parede fria.
O silêncio da casa não é um silêncio calmo,
é um peso que vai encostando nos ombros aos poucos.
Fico olhando para as minhas próprias mãos
e percebo como é fácil se perder dentro de si mesmo.
A gente passa muito tempo fingindo que está tudo bem.
A gente sorri, responde às perguntas rápidas,
diz que o dia foi bom e que amanhã vai ser melhor.
Mas a verdade é que a dor não vai embora só porque a gente ignora.
Ela fica guardada no fundo, crescendo bem devagar,
até ocupar todo o espaço do peito.
Pensar sobre isso não é uma escolha de um segundo.
É o resultado de muitos dias seguidos carregando um peso grande demais.
O mundo continua girando lá fora,
as pessoas andam na rua, os carros passam,
mas aqui dentro o tempo parece ter parado.
Não existe uma resposta simples,
nem uma palavra mágica que mude o que se sente.
A escuridão não chega como uma tempestade barulhenta.
Ela chega em silêncio, apagando as coisas aos poucos:
a vontade de conversar, o gosto das lembranças,
o interesse pelo que vem no dia seguinte.
Quando você percebe, o vazio já tomou conta de tudo.
Olho para o quarto e aceito essa ausência de luz.
Não há nenhuma virada no caminho desta vez,
nem uma promessa de que o sol vai voltar.
A noite continua longa e pesada,
e a sombra cobriu o restinho de esperança que sobrou.
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Calma, menina, desacelera esse passo,
Não precisas carregar o mundo nos teus ombros.
O tempo com carinho junta cada pedaço,
E o sol sempre volta a iluminar os escombros.
Respira fundo e deixa o peito descansar,
Nem toda pressa traz o fruto que se espera.
Até a tempestade mais forte há de passar,
E a terra no escuro sabe esperar a primavera.
Não te cobres tanto pelo que ainda não veio,
Guarda a tua paz como quem protege um tesouro.
Acalma esse coração cheio de incerto receio,
E lembra que a quietude também vale ouro.
Vai no teu ritmo, entre a firmeza e a leveza,
Aos poucos a vida desata o nó da tua estrada.
Segue serena, menina, e tem a certeza:
O teu tempo é perfeito e você não está atrasada.
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Fui o teu abrigo no teu pior momento,
Segurei teus passos com todo o meu cuidado.
Te entreguei afeto, meu tempo e alento,
E fui o teu porto quando o mundo esteve errado.
Hoje tu me olhas com esse tom tão frio,
Devolvendo pedras a quem só te fez bem.
A chateação me trouxe este vazio,
Mas prefiro a paz e não guardar mágoa de ninguém:
“Eu não disse isso quando você estava mal.”
Apaguei o texto, recolhi a dor,
Pois a calmaria é onde meu peito mora.
Não vale a pena insistir no valor
De uma consideração que já foi embora.
Fica esse silêncio, leve e transparente,
Um triste lamento pelo que acabou.
Sigo o meu caminho, sereno e consciente...
Humano, bem humano.
E aceito o que passou
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Não há vazio onde transborda afeto,
nem distância capaz de me fazer partir.
Ainda que os passos habitem outro teto,
é na tua memória que escolho residir.
A saudade aqui não veste o manto da ausência;
ela é apenas o avesso de um abraço apertado.
Permaneço por perto, na pura insistência
de quem se faz presente, mesmo do outro lado.
Estou no silêncio que precede o teu riso,
na luz mansa que insiste em dourar o teu chão.
Não me afastei de tudo o que nos é preciso:
mudo de rumo, mas não de coração.
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Não me vendam a paz dos dias mornos,
Nem o riso estático guardado na gaveta.
Eu recuso os caminhos sem contornos,
E a redoma de uma vida discreta.
Dizem que o norte de tudo é ser feliz,
Essa linha reta, calma e anestesiada.
Mas eu prefiro o risco e a cicatriz,
A vertigem de caminhar na corda esticada.
Não vim para este mundo buscar abrigo,
Nem para aplaudir o que é seguro e raso.
Quero o abraço quente do perigo,
E a luz cega rasgando o acaso.
Quero o choro que deságua em tempestade,
O amor que queima até virar cinza,
O soco no estômago da verdade,
A vida crua que incendeia e agoniza.
Se me virem sangrar ou rir bem alto,
Não tentem me curar com calmaria.
Eu sou a pressa, o grito, o sobressalto,
A própria carne da poesia.
Não me limitem ao teto do "contente",
Pois a felicidade é um porto muito manso.
Eu escolhi viver intensamente,
E não tenho nenhum interesse no descanso.
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O campo já não sustenta a mesma voltagem.
Há um cansaço que começa na base,
uma fadiga de ser o reflexo constante de algo que decidiu mudar de direção.
O girassol entendeu, antes de todos,
que o horizonte não é uma promessa de retorno, mas uma linha de fuga definitiva.
Não houve aviso, apenas a inclinação lenta
de quem aceita que o centro de gravidade se deslocou.
Erguemos o "não desistir" como uma bandeira,
Mas, às vezes, ela é apenas o pano que limpa o chão onde o outro pisa.
Você chama de persistência o que, no fundo, é um cerco,
Onde você é a prisioneira e o carrasco ao mesmo tempo.
O amor que aceita o silêncio punitivo como resposta
Não é sagrado, é um sacrifício inútil.
Pois não existe glória em manter-se inteira por fora
Enquanto, por dentro, você se fragmenta para caber no desdém de alguém.
É preciso encarar o espelho e entender a dura verdade:
Quem ama não desiste, sim, é o que dizem os livros,
Mas quem se ama não se deixa destruir, é o que dita a vida.
Pois se para manter o outro ao seu lado
Você precisa aceitar a irrelevância e o desprezo,
O que você está salvando não é um encontro,
É apenas a sua própria ruína.
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Eu entreguei o oceano em cada verso,
Meridiano de um sentir que não tem fim.
Mas você viu apenas o reflexo,
E não o vulcão que arde dentro de mim.
Palavras que foram fogueira e abrigo,
Você leu como quem olha o relógio passar.
O que era sagrado, o que era comigo,
Tornou-se um "foda" difícil de aceitar.
Então eu recolhi as velas e o cais,
Apaguei o rastro do que tentei dizer.
Se o meu transbordar te pareceu demais,
O silêncio é o que resta para te proteger.
Pois quem só entende de superfície e vento,
Não merece o peso do meu sentimento...
Em resposta a reação... Sobre o poema:Teu amor.
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Teu amor não é brisa, nem rima ligeira,
É terra firme, rocha, fundação inteira.
Tem o olhar de quem mede a vida com prumo,
E um passo severo que nunca perde o rumo.
É sério como a noite que abraça o cansaço,
Guardando um mistérios no aperto do braço.
Não há frases vãs ou promessas de vento,
Em ti, o "eu te amo" é puro fundamento.
Mas por trás dessa face, desse porte contido,
Pulsa um vulcão que jamais, jamais...foi vencido.
Tua entrega é e não é absoluta, um mergulho sem fim,
Uma chama constante queimando por dentro de mim.
É o contraste perfeito, a calma e o rigor,
A seriedade do mundo curada pelo teu calor.
Pois quem te vê pedra, não sabe o segredo:
Teu amor é o único lugar onde não sinto medo.
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É que o peito é tambor, batendo contra o vento
Não é só entretenimento, é o puro sentimento
Se o mundo é frio e vão, eu trago o meu braseiro
Erguido no terreiro, herdeiro do tormento
Dizem que a arte salva, mas quem salva o artista?
Quando a luz do refletor apaga e a dor vira conquista?
Eles querem a rima, mas não querem o calo
Querem o verso pronto, mas ignoram o estalo
Da bota no asfalto, do enquadro no escuro
Da esperança que insiste em brotar lá no muro
Pois se o prato tá vazio, a poesia é o grito
De quem cansou de ser número e quer ser infinito.
Não sou daqui, é verdade, sou de um plano maior
Onde o suor vale ouro e o amor é o nó
Que amarra a coragem no topo da ladeira
Minha voz é trincheira, minha vida é bandeira
Se o Sun Tzu fez a guerra, eu faço a retomada
Pois quem conhece o abismo, não teme a jornada.
Ando só? Jamais. O morro desce comigo
Em cada rima um abrigo, em cada verso um perigo
Pois enquanto houver sangue, haverá melodia
Transformando o cansaço em pura profecia.
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