Incompleto
A solidão se senta nos cantos da mesa de jantar, O ranger dos talheres no prato cessa, Mas o silêncio continua ensurdecedor, Talvez até a solidão deteste a minha companhia, Esse é o primeiro dia dos meus últimos dias, Onde os meus medos se tornam fobias. Não existe redenção para alcançar, Fechar os olhos não sugere descanso, Quando o fim está mais próximo do que um recomeço. A autodestruição mutila aquilo que a vida não pôde extinguir, Deixado à deriva, rumando ao apocalipse interno, Onde o desespero me mantém desperto. Nada resta quando o cerne se desfaz, E a minha tragédia é comédia para os desatentos, Não existe um toque reconfortante, Pois tudo e todos se foram com o passar do tempo. Persigo fantasmas contra o horizonte evanescente, Onde o limiar dos meus pesadelos se tece. Após o último verso do meu canto do cisne, Além do rompimento do meu universo, Jaz a quintessência da minha melancolia. Aquilo que toco se torna ouro e depois carvão, Assim se realça a minha tormenta, Onde a verdade se encontra no verso mais subliminar. No relevo do meu ser jaz um sofrimento interminável, Um dilúvio de escuridão que nunca cessou, Assim que o meu sangue escorrer da nuvem mais ociosa, Saibas que a causa tem nome. No ápice da vertiginosa queda uma nova promessa foi quebrada, Um obelisco foi erguido para então ser derrubado, Mais um sacrifício feito para se obter uma nova derrota, Do meu vazio absoluto não há escapatória. Um último lamento deixa os lábios, Enquanto o ferimento é aumentado, Fui apagado, assim como um verso incompleto. Uma despedida para quem deixei de conhecer, Um brinde a todos os meus flagelos, Encontrarei todos vocês no inferno. By: Jason Rodrigues
ỌHAR
que lírico brutal, radical ao quadrado, amei ler,é forte os versos 👏✍️🏼
Jason Rodrigues
Fico feliz que tenha gostado, obrigado pela leitura.