O céu do meu inferno
Uma rapsódia das miríades de partículas do meu ser, O ponto de fuga no quadro celeste onde te vi cândir, Nos escombros de nossa história se fez um jardim melancólico, Onde meus poemas mais viscerais desabrocham.. Não te nomeio diretamente nos meus escritos, Te chamo de Luz da Manhã, Anjo sem coração… Aquela que deu um início tardio ao meu célere epílogo, O verso do amor mais verdadeiro morreu comigo. Conjuro memórias e descrevo diversos desfechos, Escrevo em linhas tortas sobre o seu mais acre-doce beijo, A tua ira volátil, tua luxúria interminável. Fadado a te observar iluminando o meu fulcro, És a primeira luz que acende no dilúculo. Onde cada verso soa como uma cópia de outro poema meu, Uma antologia sobre um ser de diabrura angelical, Uma ode sobre todas minhas elegias, Onde brilha seu sorriso no céu do meu inferno, Ainda és a dona do incerto… Os mesmos dedos que outrora estavam entrelaçados aos seus, Hoje seguram de forma trêmula a lapiseira… Por anos ponderei sobre você e sobre mim, Uma metapoesia foi escrita enquanto barrei as lágrimas, Um título foi escolhido, mas nunca virei a página… Miríades e miríades de fragmentos de mim, Agrupados na palma da sua mão pálida, Enquanto você ascendeu para o abismo, desci. Os teus olhos perolados como pétalas do meu sonho gótico, As tuas plumas perigosas bateram e do píncaro fui lançado. Quando comecei a escrever sobre você, Não quis te transformar em poesia, De tantas formas tentei te descrever, Enquanto nos meus devaneios a gente novamente se despia. A tua ira volátil, tua luxúria interminável. Fadado a te observar iluminando o meu fulcro, És a primeira luz que acende no dilúculo. “Do teu imo provei e o gosto era viciante, Tão doce quanto o mel era o teu lábio vacilante, Uma ambrosia que se tornou fel, Quando você se foi na interminável noite, A luz do ocaso não se distingue da escuridão da alvorada, E sozinho descasco as feridas que o amor me trouxe. O teu íntimo toquei e descobri a chama mais ardente, Com você sempre sonharei mesmo durante o dia, No teu suor eu me banhei, a luxúria de dois amantes, E assim que acordei você se foi com a interminável noite, A luz do ocaso não se distingue da escuridão da alvorada, E sozinho descasco as feridas que o amor me trouxe…” Miríades e miríades de fragmentos de mim, Agrupados na sua mão encharcada com meu sangue, Quando você soou a trombeta silente do meu fim, O teu brilho ofuscava meus horizontes, Quando teu derradeiro sorriso lentamente se esvaiu, O meu último eclipse se teve início. By: Jason Rodrigues
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