people-pleaser
acho que perdi minha lucidez em tantos de mim, que desconheço o caminho de volta. tem caminho de volta a aquela ingenuidade fajuta? não sei mais qual de mim está escrevendo isso, nem qual de mim está apaixonado por ela, ou o que em mim é verdadeiro se tudo me faz pensar nela. estou a desempenhar alguém que esqueceu como ser alguém, após uma despedida em abril. mas era primeiro de abril! não há, de forma alguma, autenticidade aqui. mas não há mentira também para omitir o que aconteceu em mim. mentiram para mim quando me chamaram de gentil. pois sou a cópia fajuta, forjada para agradar a alguém, para agradar e mostrar funcionamento quando está fragmentado. fragmentado demais para amar alguém. fragmentado demais para se amar. minto para todos quando falo que estou bem, há muito, tanto tempo, que finjo ser alguém. mas é que há muitos em mim: há uma falsidade de alguém que pede silêncio, mas quer conversar. tem a divergência de alguém que quer distância, mas pede colo e cafuné. tem também aquele maníaco desconfiado que se esconde em meio a tantos eus apaixonados. não esqueça do eu que é carente pra caralho e pede para ficar só, quando está bem acompanhado. ele nunca fica só, é embriagado demais por pessoas, pois, as pessoas são o seu vício. agradar é a única forma dele estar aqui. não há interpretação simples, nem tão complexa. não há conclusão, pois ainda tem desenvolvimento pela frente, mesmo que volte sempre à introdução de algo entre a gente, ainda tem que apresentar a problemática e discorrer sobre o tema. é que me falta interpretação sobre o tema, que torna descartável aquele problema que me deixava doente. sentir não é fácil quando há em você, vários corações. a maioria está presa em travessões e abreviações de um quase, durante uma tempestade de omissões em meio ao empréstimo de um catacrese e sua palavra traição. tem um que tem medo de abandono, sabe? assim como, tem outro que deseja amor genuíno mas é tão ciumento, que não tem conectivos suficientes para ligar as frases. tem o trouxa que depende dos outros para sorrir, e esqueci da sua saúde e quando chega a noite, se esforça para não cair. tem o emocionalmente presente que projeta suas idealizações. não compreendo essa dissertação que se formou em mim. logo, quem sou de verdade? sendo sincero, o que há de real em mim? tenho nojo por não saber quem está de fato aqui!
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