Nossos Ossos
Eu me ergui sobre os ossos dos meus antepassados, e jurei pelo sangue do meu sangue, ser enterrada a seu lado para carregar nossos fantasmas, tantos sonhos perdidos, amores nunca declarados... Eu sou a soma do que foram para mim um dia e sou a subtração dos demônios que um dia me tentaram induzir a crer que eu pertencia para além, que os cadáveres dos meus avós não chacoalhavam pela minha presença, por tanto me esperar. Um deserto se fez sob os meus pés e uma tempestade de areia me cegou para que finalmente eu me pusesse a ver que, sim, eu não estava assim tão longe de encontrá-los. Não importa o quanto já andei. Não importa o quanto eu tenha andado. (As cinzas do meu pai me repreendem até agora!) Me contento a respeito de tudo que vivi até aqui pois sei que meu fim se aproxima e que me sente a cada passo que dou em sua direção. (Não importa o quanto já andei) Em breve estarei em casa. Eu serei uma casa. E sobre mim - sobre nós -, impérios se erguerão, impérios caírão, em meio a tempestade de areia.
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