Eu sei exatamente o que esperar de você,
de você, especificamente.
Não há nada que não tenha visto antes, eu o conheço:
suas mentiras; manipulação; mais mentiras.
eu o conheço.
já os outros se fizeram completos estranhos para mim.
Eu não os conheço
e não confio em nenhum deles.
mas eu o conheço.
e me agarrar à todas as suas inconstâncias e delitos e mentiras,
me parece um caminho menos obscuro diante dos meus olhos,
porquê...
eu o conheço.
sei o que esperar,
sei o que não esperar de sua conduta.
quanto aos outros,
prefiro não pensar a respeito.
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Essa luz que te guia e te conduz agora,
um dia me capturou os olhos e o peito, também.
E eu a segui,
eu a amei,
a adorei como a única coisa que me importava no mundo,
ela era a única coisa que me importava no mundo,
até te conhecer
e perceber que você estava tão perdido quanto eu.
E eu te segui,
eu te amei,
te adorei como se fosse a única coisa que me importava no mundo -
você era a única coisa que me importava no mundo e aí,
ela te pegou de jeito.
Ela se foi e você foi atrás dela.
Eu fiquei aqui,
atrás da minha sombra,
dos meus olhos, do meu peito.
Eu perdi a minha sombra numa paixão - a luz a tirou de mim.
Mas minha esperança foi levada por ti.
Só por ti.
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Sr. D.,
Antes de tudo, saiba que exitei muito em escrever-lhe.
Imaginei por diversas vezes a expressão em seu rosto assim que soubesse que fui eu, de novo. Tentando trazê-lo de volta ao meu dia a dia, tentando me levar de volta à sua vida.
Acredito piamente que o passado deve ficar no passado,
mas o tenho carregado comigo de tempos em tempos,
e de tempos em tempos o tento escrever.
Você sabe que nunca fui boa em expressar sentimentos, mas tenho tentado.
Tenho tentado e falhado em justificar meus atos e incitações contra nossa amizade no passado. Um passado tão distante... tão presente em minha memória.
Sei que errei. E me arrependo.
Você não faz ideia do quanto penso em você.
Você sabe que não tenho dormido direito e já faz alguns meses.
Seus bilhetes noturnos têm me ajudado a passar por isso.
E é bom saber que não se esqueceu de mim. Apesar de doer em algum órgão que ainda não consigo distinguir.
Pensar em você acelera tudo diante de mim - o que me entristece, de todas as formas, pois existimos apenas no passado e não há lugar para nós, além dali.
Eu espero o sol pensando em você.
E quando ele vem, e ele me cobre e me ilumina, machuca meus olhinhos sensíveis,
eu faço um esforço
para não chorar.
Sinto sua falta.
Não sabe como sinto sua falta.
Não há muito o que dizer além disso, além do óbvio: sinto sua falta.
É provável que eu continue a mandar estas cartas, você sabe, já que fico sem nada para fazer durante a noite.
Espero que não se incomode.
Espero que eu não lhe incomode.
Espero, sinceramente, que não leia uma palavra sequer - ao menos não a partir deste horário, pois é quando nascem as más ideias e as piores execuções.
Sempre fui egoísta.
Não me defenda das minhas convicções, eu sei do que estou falando.
Não quero machucá-lo, de novo.
Mas preciso de você.
Enfim, nós dois sabemos que no fundo,
lhe escrevo,
mas por mim.
Com amor, Lorena.
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Ele respondeu minha mensagem...
(Nunca cheguei nessa parte)
O que eu faço agora?
De todas as escolhas erradas que eu já fiz: de longe, a pior delas,
foi,
me convencer a acreditar
que
aquela
era a escolha certa.
Sinto-me tão,
incondicionalmente sozinha.
Para quê dormiria essa noite?
Descanso a cabeça no travesseiro:
minha cama se fez um leito;
estou padecendo sobre ela e não há ninguém por perto para lamentar minha partida, nem chorar por mim.
Para quê dormiria essa noite?
Sinto-me tão incondicionalmente sozinha.
A diferença é que agora,
sei disso,
sei que estou sozinha e morrerei em paz,
me conformando, me decompondo...
Para quê dormiria essa noite?
Amanhã,
acordarei renovada pelos raios de sol banhando a minha pele,
abrirei os olhos,
levantarei do leito e saberei,
eu me sentiria tão... incondicionalmente,
novamente,
como que pela primeira vez descoberto:
Ainda estou sozinha.
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Eu morri
e voltei
para me assombrar.
Eu quero ser fútil.
Voltar para casa depois de sair e comprar pão e leite frescos para o café da manhã seguinte;
deitar no meu sofá-cama e abrir a TV numa série adolescente qualquer que me segure até que a pipoca e o brigadeiro fiquem prontos;
ligar para o meu ex e dizer: ei, não pensei em você essa noite!;
dormir com as luzes acesas e acordar sem pressa para levantar...
porque não há nada no mundo lá fora que me interesse, afinal.
Viva a futilidade!
Já que não há nada de interessante, lá fora, mesmo.
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Eu me ergui sobre os ossos dos meus antepassados,
e jurei pelo sangue do meu sangue,
ser enterrada a seu lado para carregar nossos fantasmas,
tantos sonhos perdidos,
amores nunca declarados...
Eu sou a soma do que foram para mim um dia e sou a subtração dos demônios que um dia me tentaram induzir a crer que eu pertencia para além,
que os cadáveres dos meus avós não chacoalhavam pela minha presença,
por tanto me esperar.
Um deserto se fez sob os meus pés e uma tempestade de areia me cegou para que finalmente eu me pusesse a ver que,
sim,
eu não estava assim tão longe de encontrá-los.
Não importa o quanto já andei.
Não importa o quanto eu tenha andado.
(As cinzas do meu pai me repreendem até agora!)
Me contento a respeito de tudo que vivi até aqui pois sei que meu fim se aproxima e que me sente a cada passo que dou em sua direção.
(Não importa o quanto já andei)
Em breve estarei em casa.
Eu serei uma casa.
E sobre mim - sobre nós -,
impérios se erguerão,
impérios caírão,
em meio a tempestade de areia.
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E para minha surpresa,
depois de tanto tempo longe de casa,
eu me encontrei no mesmo lugar,
fincada, quase que enterrada firme - numa terra fértil -,
cercada por tudo que a mãe natureza julgou ser do meu agrado, num dia de primavera...
onde me vi pela última vez.
Mas a beleza que capturou a essência da minha alma foi a mesma que encarceirou meu corpo e escravizou meu espírito, consigo, impiedosamente.
Fui iludida pelo que os meus olhos podiam ver - tudo a minha volta, tudo abaixo de mim: eu me perdi mais uma vez.
(Espero eu que seja isso,
só pelo deslumbrar de me encontrar um dia,
no mesmo lugar,
onde me vi...
pela última vez.)
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