O Silêncio
Há um copo sobre a mesa com água que ninguém bebe. O que é estranho,porque estaria cheio para nada afinal? A luz da manhã passa por ele sem fazer barulho,como se ele não existisse. O dia acontece gente indo,vindo coisas abrindo, o tempo fingindo ordem,e não caos Algo em mim fica parado, igual elevador entre andares,como uma bituca de cigarro jogada. Sem alarme,aviso prévio sem pressa de chegar. As plantas continuam crescendo mesmo quando não olho,as nuvens no céu fazem igual. O relógio cumpre seu papel,tic tac, sempre trabalhando. Não dói nada,eu pelo menos acredito.. Também não aquece,e não melhora É só esse estado de estar,ser, sobreviver,existir, ficando ali, como um móvel bem colocado num quarto que quase não se usa. E assim as horas passam,educadas,discretas, sem notar o que ficou esquecido no canto, Melhor dizendo, pendurando,com uma corda,no canto do tão inmemoriavél quarto..
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