Trago do entregar III
eu acendo um cigarro e o mundo fica meio torto, meio cinza, igual eu fico quando penso em voce. a fumaça sobe lenta, parece ate que sofre, igual meu peito sofre toda vez que eu lembro do que a gente nunca foi. eu trag o silencio, ele queima mais que o cigarro, e ainda assim eu volto, feito um bobo, feito quem ama demais e recebe de menos. voce sempre teve esse gosto de coisa que faz mal, mas que eu chamo mesmo assim, porque ficar sem doi mais do que ficar com. eu olho pra ponta queimando, e penso em mim. em como eu tambem vou sumindo devagar, em pedacinhos, sem ninguem notar. e no fim, so sobra essa fumaca fria e um vazio no peito que parece achar que voce ainda volta.
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